Estatal descarta risco de perder área no pré-sal

Petrobrás pediu mais 4 anos para avaliar áreas da Bacia de Santos, mas ANP negou solicitação

Nicola Pamplona, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

A Petrobrás afirmou ontem que a manutenção dos prazos exploratórios do pré-sal não terá impacto no seu planejamento estratégico. Em nota divulgada ontem, a empresa informou que todos os planos de investimento foram elaborados tendo em vista os prazos originais das concessões. Mesmo assim, a empresa pediu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) mais quatro anos para avaliar as áreas, solicitação negada pela diretoria da agência em reunião na terça-feira.A decisão refere-se a todos os blocos operados pela companhia na área do pré-sal da Bacia de Santos: BM-S-8, BM-S-9, BM-S-10, BM-S-11 e BM-S-21, onde estão as descobertas de Bem-Te-Vi; Carioca e Parati; Parati; Tupi e Iara; e Caramba, respectivamente. Todas as descobertas têm planos de avaliação autorizados pela ANP, com prazos que se estendem entre 2009 e 2012. Para especialistas, porém, os prazos atuais são apertados para a exploração de toda a extensão dos blocos."Para a Petrobrás e seus parceiros, a única alternativa é acelerar a exploração e os planos de avaliação para realizar o máximo trabalho possível nos blocos", disse o analista do Credit Suisse, Emerson Leite, que considerou surpreendente a negativa da ANP. "Assim que os prazos expirarem, a Petrobrás vai delimitar as descobertas comerciais e devolver à ANP outros pedaços de blocos onde não há descobertas ou que não tiveram tempo suficiente para trabalhos de exploração adequados. Nesse caso, "existe a possibilidade de devolução de áreas com alto potencial", completa o especialista.No comunicado distribuído ontem, a Petrobrás afirma que "não vislumbra qualquer risco de devolução de áreas, de não cumprimento das obrigações assumidas ou de impactos no seu planejamento estratégico". A estatal informou, porém, que ainda não foi notificada pela ANP sobre a decisão, que, segundo o texto, só será aprovada na próxima reunião de diretoria da agência. As áreas eventualmente devolvidas pela Petrobrás e seus parceiros voltam ao controle da União. No mercado, acredita-se em duas alternativas para as regiões com potencial de reservas, que dependem ainda da aprovação da nova legislação do setor: podem ser entregues a uma estatal criada para gerir o pré-sal ou usadas para capitalizar a Petrobrás. Nesse caso, seriam entregues à própria companhia, em troca de ações para a União. Segundo fontes do setor, a hipótese da capitalização ganha força no grupo que analisa as novas regras.Para Leite, porém, a decisão da ANP é potencialmente negativa para a Petrobrás, porque reduz o potencial de crescimento das reservas da companhia nas áreas já concedidas do pré-sal. Há hoje sete blocos sob concessão na área do pré-sal da Bacia de Santos, região que vem sendo considerada a maior província petrolífera descoberta no Atlântico. Além dos cinco blocos já citados, integram a lista o BM-S-24, também operado pela Petrobrás, onde está a descoberta de Júpiter; e o BM-S-22, operado pela Exxon, que já anunciou descoberta batizada de Azulão.Em apenas duas descobertas, porém, há estimativa de volumes de reservas: Tupi, com 5 a 8 bilhões de barris, e Iara, com 3 a 4 bilhões de barris. O cálculo das outras reservas depende dos trabalhos de avaliação acertados com a ANP. Além disso, existe a chance de novas descobertas nos blocos concedidos, caso haja prazo suficiente para desenvolver novos trabalhos exploratórios. A Petrobrás pediu mais prazo à agência, alegando que não tem sondas de perfuração disponíveis para ampliar a exploração e usa as unidades que tem sob contrato para tocar os planos de avaliação.FRASESEmerson LeiteAnalista do Credit Suisse"Para a Petrobrás e seus parceiros, a única alternativaé acelerar a exploração e os planos de avaliação pararealizar o máximo trabalho possível nos blocos""Existe a possibilidade de devolução de áreas com alto potencial"

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