Estatal tem dificuldade para atrair sócios para pólo de R$ 13 bi

Empresas querem reduzir preço de matérias-primas na nova Central Petroquímica do Sudeste

Irany Tereza e Nicola Pamplona, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

A indefinição em torno dos custos da matéria-prima que será produzida pela central de refino do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro)pode afastar o interesse privado no projeto, avaliado em US$ 8,5 bilhões (cerca de R$ 13,6 bilhões). A construção da refinaria, a parte mais cara do projeto e que será custeada pela Petrobrás, está assegurada.A refinaria consumirá US$ 5 bilhões, ou 60% do orçamento total. Mas o projeto prevê ainda oito unidades petroquímicas de segunda geração em torno da central, cada uma para um tipo de produto. Nessa parte ainda não há uma definição sobre investimentos."Ainda não há nenhum sócio privado no projeto. Já recebi dezenas de indústrias brasileiras e estrangeiras interessadas no processo. Tudo ainda depende do preço. A indústria petroquímica não pode repassar aumentos muito grandes na ponta", disse uma fonte do setor.O Comperj é hoje o maior projeto de refino e petroquímica no País. A Petrobrás estuda revisar para cima seu custo - definido há mais de um ano - porque os equipamentos e insumos do setor de petróleo ficaram mais caros. Mas, para a estatal, o projeto já é uma realidade e terá de contar necessariamente com participação privada, sob a liderança da CPS, nome provisório da companhia formada a partir da parceria entre a Petrobrás (40%) e a Unipar (60%).No dia 12 de junho, a CPS receberá o referendo definitivo da Petrobrás, em assembléia extraordinária de acionistas. "A CPS vai participar (do Comperj). Já está definido. Isso é sem retorno", afirma o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.A companhia inclui os ativos petroquímicos da Suzano, comprados pela Petrobrás em 2007. Seu nome e logomarca, criados pela agência de propaganda MPM, serão divulgados no dia da assembléia, quando também deve ser aprovado o nome do presidente-executivo, escolhido pelo Grupo Unipar.EM OBRASA obra do Comperj, que ocupará uma área de 45 milhões de metros quadrados em Itaboraí, no interior do Rio, está na fase de terraplenagem e os equipamentos já estão sendo projetados pelo Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) e pela empresa francesa Axens, especializada no desenvolvimento de qualidade de derivados de petróleo, e da construtora americana Stone Webster.Segundo a Petrobrás, os acordos com empresas privadas no Comperj seguirão três modelos: participação acionária, aporte de tecnologia e tomadores de produtos, ou seja, empresas que entram no projeto com a aquisição de parte da produção acertada em contrato.A refinaria produzirá 1,3 milhão de toneladas de eteno e 881 mil toneladas de propeno por ano, que estão entre as matérias-primas mais importantes da indústria petroquímica. Esse volume corresponde à metade do consumo brasileiro da segunda geração da indústria petroquímica, que utiliza pouco menos de 5 milhões de toneladas de produtos por ano "É interessante estar na segunda geração da petroquímica, onde estão as maiores margens (de lucro)", diz Costa. No setor, porém, as empresas reclamam do preço dos insumos - a nafta, por exemplo, está cotada a US$ 1,1 mil a tonelada e entre 30% e 40% têm de ser importados, porque não há nafta nacional suficiente para atender a toda a demanda."Está todo mundo operando com margem de lucro muito apertada. Só interessará entrar num projeto desse se os preços do insumo forem equivalentes aos do Oriente Médio", diz um representante do setor, que não quis se identificar. Um executivo de outra empresa confirmou o temor: "O problema é saber quem vai ficar com o desconto de US$ 10 a US$ 15 por barril que o óleo pesado tem com relação ao tradicional."

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