Estereótipo da ineficiência está superado

Na nova fase de cooperação entre as empresas estatais e privadas, é importante notar também que já não existem mais as mesmas diferenças de atuação na década de 70. Na época, as estatais eram sinônimo de ineficiência e empreguismo, além de sofrerem as conseqüências da política de controle de preços e de endividamento externo forçado da ditadura militar. Atualmente, com a abertura de capital, as estatais continuam sob controle e influência das diretrizes do governo, mas estão submetidas a normas de ''governança corporativa'' iguais às do setor privado.No novo milênio, a fronteira entre público e privado é mais tênue. Do ponto de vista da gestão, por exemplo, é difícil definir hoje qual empresa é mais eficiente - a Petrobrás estatal ou a Vale (antiga Vale do Rio Doce) privatizada, que continua tendo o governo com um dos seus principais acionistas. As duas empresas são hoje exemplos de sucesso nos seus ramos de negócio e foram, em grande parte, ajudadas pela conjuntura internacional.Na nova estratégia de desenvolvimento do governo brasileiro, a internacionalização de megaempresas como essas - públicas ou privadas - é ponto fundamental tanto para a expansão das exportações, quanto para a atração de investimentos externos e para o estímulo às inovações. A grande lacuna enfrentada pelas grandes corporações, conforme reconhecido recentemente pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, é a falta de mão-de-obra qualificada.Todos os países bem-sucedidos na estratégia de desenvolvimento analisada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) dedicaram especial atenção ao fortalecimento da educação básica e, cada vez mais, da educação superior. O que parece ainda ser uma grande deficiência do Brasil.

Sérgio Gobetti, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 00h00

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