Esteves, do BTG, é multado na Itália em 350 mil

Banqueiro brasileiro é acusado de uso de informação privilegiada na compra de ações no país, mas diz que vai recorrer da decisão

PATRÍCIA LARA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h06

A Consob, órgão regulador do mercado de capitais da Itália, multou em 350 mil o banqueiro André Esteves, controlador do banco BTG Pactual, pelo suposto uso de informações privilegiadas em operações realizadas no país em 2007. Além disso, Esteves foi impedido, por um período de seis meses, de atuar como administrador de empresas reguladas pela Consob. Em nota, o BTG Pactual informou que seu controlador vai recorrer da decisão.

Com base no artigo 187, da legislação societária italiana, a comissão de valores mobiliários da Itália entendeu que Esteves comprou 1,6 milhão de ações da Cremonini entre 5 de novembro e 26 de novembro de 2007, por 3,360 milhões, após ter acesso a informações privilegiadas sobre o plano de criação de uma joint venture entre a italiana Cremonini e o grupo brasileiro JBS, no setor de produção de carnes.

O pagamento da multa deve ser feito no prazo de 60 dias da notificação, mas cabe recurso à decisão, também num prazo de 60 dias, no Tribunal Administrativo de Lazio. Na ocasião do negócio com supostas informações privilegiadas, Esteves ainda era chefe de renda fixa do banco UBS AG, de acordo com o órgão regulador.

Notificação. Em nota, o BTG Pactual esclarece que, em 13 de abril de 2012, Esteves foi notificado sobre decisão em primeira instância. A nota ressalta que a decisão "ainda está sujeita a recurso na esfera administrativa e, pela sua natureza, não possui qualquer consequência na esfera criminal para o investigado. O Banco BTG Pactual reitera que acredita que isto não irá causar qualquer efeito adverso nas suas atividades, inclusive na capacidade do Sr. André Santos Esteves de atuar na sua atual posição em quaisquer das sociedades do Grupo BTG Pactual", diz o banco. "O Sr. André Santos Esteves acredita que as alegações não possuem fundamento e pretende recorrer da decisão", acrescenta.

Em decorrência da decisão, o BTG informou ainda que foi colocada à disposição do mercado, nos sites da companhia, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da BM&FBovespa, uma versão atualizada de seu Formulário de Referência, que contempla a atualização do item 4.7, do qual constam informações sobre o processo na Itália.

Após uma disputa entre os sócios que perdurou por três anos, a JBS desfez o acordo com a Cremonini em 2011, após se queixar da falta de acesso a dados financeiros da joint venture.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.