Estiagem pode provocar racionamento na Região Sul

O secretário de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, Valdir Andres, disse neste sábado que a hipótese da racionamento de energia elétrica na Região Sul ainda não está sendo discutida com o Operador Nacional do Sistema e com o governo federal. Admitiu, no entanto, que a situação dos reservatórios da região está chegando a um nível crítico e que se a estiagem continuar "tudo pode acontecer".Por enquanto, o abastecimento está garantido por "pequenas gorduras" que estavam disponíveis e pela recuperação parcial de alguns reservatórios proporcionada pela chuva de domingo passado. Entre as "gorduras" citadas por Andrés está a usina térmica de Uruguaiana, que volta a operar em, no máximo, dois dias, graças à retomada da importação do gás argentino. Andres foi informado na sexta-feira que a Repsol vai garantir combustível para a geração de 240 megawatts (MW) durante 45 dias. A capacidade instalada da usina, operada pela AES Sul, é de 600 MW.Em tempos normais o Rio Grande do Sul produz 65% do consumo médio de 3,6 mil MW. No momento, está importando 70% da demanda estadual, que chegou a quase 4,4 mil MW nos dias mais quentes do ano, na semana de 7 a 11 de março. Se a estiagem continuar, os limites vão aparecer. Um deles é a capacidade das linhas de transmissão, que não poderiam transferir do Sudeste para o Sul mais de 80% do consumo gaúcho em momentos de pico. Outro é a reserva de água nas barragens, que está baixando à razão de 0,8% por dia. Neste ritmo, os reservatórios podem perder em pouco tempo o volume que conseguiram recuperar com a chuva de domingo passado.O problema foi amenizado nos últimos dias pela queda no consumo de energia, proporcional à temperatura, que chegou a 40 graus na semana de 7 a 11 de março e ficou entre 20 e 30 graus de 14 a 18 de março. E o feriadão da Sexta-Feira Santa vai reduzir a demanda industrial e comercial. São indicativos, segundo Andres, de que é possível segurar engavetada por mais algum tempo a discussão do racionamento, à espera de que a chuva chegue antes da necessidade de medidas drásticas.

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