Jonne Roriz/AE
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Estiagem prejudica lavouras de soja e milho e projeção para safra 2016 cai

IBGE estima safra de 205,4 milhões de toneladas em 2016, recuo de 1,9%, enquanto a Conab prevê queda de 2,5%; mesmo com estiagem, safra de soja deve ser recorde

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 10h51

RIO - O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola abril/março estima uma safra de 205,4 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 1,9% em relação à produção de 2015, quando totalizou 209,4 milhões de toneladas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O montante ainda foi 2,2% menor que o previsto em março, com 4,6 milhões de toneladas a menos. 

Já o oitavo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também divulgado nesta terça-feira, prevê que a safra brasileira deve alcançar 202,39 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 2,5% em comparação com o período anterior (207,7 milhões de t).

Segundo os técnicos da Conab, "a falta de chuvas resultou na redução da produtividade das safras de soja e milho", prejudicando o resultado da produção nacional. A Conab salienta que a queda deve-se principalmente ao milho segunda safra, fortemente prejudicado pela seca do mês de abril. A expectativa é de uma produção de 52,9 milhões de t, 3,1% a menos que os 54,6 milhões de t da safra 2014/2015.

Recorde. A soja, responsável por 47,9% da produção nacional de grãos, mesmo afetada pelo clima, registrará produção superior à da safra passada em virtude do crescimento de 3,1% na área cultivada. A estimativa da Conab é de um aumento de 677,1 mil t em relação aos 96,2 milhões de t da safra 2014/2015, totalizando 96,9 milhões de toneladas. 

Já de acordo com o IBGE, apesar da redução de 1,7% na estimativa de abril para a safra de soja em relação à do mês anterior, a produção nacional do oleaginosa ainda será recorde em 2016. A área a ser colhida soma 33 milhões de hectares, o equivalente a uma produção de 98,5 milhões de toneladas, 1,3% maior que a safra de soja de 2015. 

Mato Grosso lidera a produção nacional, com 28% de toda a safra do grão. No entanto, o Estado espera colher 27,6 milhões de toneladas, 1% a menos do que o informado no mês de março. A avaliação de abril também trouxe reduções para as expectativas de produção do Maranhão (-29,8%) e da Bahia (-8,6%).

"As quedas mais acentuadas foram no Maranhão e na Bahia, mas há pequenas perdas em vários Estados. O Mato Grosso (principal produtor) também teve perda", observou o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi.

Estiagem. A estiagem prejudicou o rendimento das lavouras de soja no Maranhão, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, a seca chegou mais tarde e afetou a plantação de milho segunda safra.

"Em Goiás, em 2015, a estiagem foi mais cedo e pegou a soja. Este ano, a estiagem veio mais tarde, então a soja não teve problema, mas pegou o milho 2ª safra", disse Andreazzi. "A estiagem pegou o milho na fase em que ele precisa de mais água", acrescentou.

No total, a produção de soja será 1,7 milhão de toneladas inferior ao previsto em março. Mas a revisão foi maior para o milho 2ª safra, com 2,5 milhões de toneladas a menos que na estimativa anterior, queda de 4,5%.

"Houve aumento na área plantada. O que caiu foi a produtividade. O preços estão excelentes. Então não é questão de preço, a  área plantada está até maior. A  questão é climática", explicou o gerente do IBGE.

Trigo. A produção de trigo, por sua vez, deve ser 4,7% maior em 2016, embora a previsão seja de área plantada 5,5% menor do que no ano anterior, segundo o IBGE. Os produtores vêm de dois anos de perdas na lavoura, devido ao excesso de chuvas e à geada na floração. Embora a estimativa para a produção de trigo em 2016 ainda se baseie nas intenções de plantio, a produtividade deve ser 10,7% superior ao de 2015. 

"A área de trigo está diminuindo porque o produtor plantou mais milho. Mas o rendimento está maior, porque no ano passado as lavouras do Paraná e do Rio Grande do Sul quebraram", explicou Mauro Andreazzi, do IBGE.

A safra nacional de trigo deve alcançar 5,6 milhões de toneladas este ano. Mas o montante provavelmente sofrerá revisão, porque produtores do Paraná estão apostando no plantio de milho segunda safra, que está com preços mais atraentes.

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