Estiagem que se espalha por vários Estados já causa prejuízos bilionários

Série 'Caminhos da Seca' mostra como a falta de chuvas afeta importantes bacias hidrográficas e a economia

Alexa Salomão, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 19h05

Há uma regra elementar que se aplica em períodos de secas severas: se a água escassear, a prioridade é o consumo humano. Isso significa que, antes de as torneiras de casa secarem, a água falta na agropecuária, nas indústrias e nos serviços. É o que ocorre hoje em várias partes do Brasil.

A estiagem que compromete importantes bacias hidrográficas pode prejudicar a já combalida economia nacional, simplesmente porque o País não está preparado para lidar com ela. “Diferentemente de outros países, o Brasil não tem mecanismos para aliviar perdas econômicas com a falta de água”, diz Jerson Kelman, especialista no tema, que dirigiu as agências nacionais de Água e de Energia. 

Prejuízos. A seca começou espalhando prejuízos no Nordeste. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), entidade que monitora eventos climáticos extremos, a região sofreu perdas de R$ 20 bilhões entre 2010 e 2013. No setor de energia, a conta é maior. Só para manter as térmicas ligadas e compensar a falta de água nas hidrelétricas, de 1.º de janeiro de 2011 até 14 de outubro deste ano foram gastos R$ 49,4 bilhões. O cálculo é da consultoria PSR, com dados do Operador Nacional do Sistema. 

Neste ano, a estiagem se espalha pelo Sudeste. Segundo levantamento da consultoria MB Agro, os produtores de cana-de-açúcar, carro chefe da agricultura paulista, amargam uma perda de 18% na receita. “O problema é sério e vai afetar a economia de várias cidades”, diz José Carlos Hausknecht, sócio da MB. No Centro-Oeste, o produtor ainda aguarda a chuva, que atrasou, para semear. 

Para mostrar de perto os efeitos dessa estiagem histórica sobre os rios e a economia que eles irrigam, o Estado inicia hoje a série Caminhos da Seca. O primeiro rio visitado é o São Francisco, o Velho Chico. 

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