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Estimativa de crescimento é mantida em 3,5%

Às vésperas do anúncio de mais um pacote de medidas de estímulo ao crescimento pelo governo, o Banco Central preferiu manter a previsão crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h04

Embora a projeção do BC esteja ainda bem distante dos 4,5% prometidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a manutenção da previsão no mesmo patamar da estimativa projetada em dezembro de certa forma dá um alívio à equipe econômica.

Nos bastidores da equipe econômica, há o entendimento de que a economia atualmente gira em ritmo abaixo de 3,5% ao ano. Essa percepção é sustentada especialmente pelo frustrante desempenho da indústria. Diante desse quadro nada animador, causou alívio à equipe ver que a previsão do BC não foi alterada para pior, para uma taxa menor de crescimento, por exemplo.

Para o governo, revisar o número para baixo agora poderia provocar nova onda de pessimismo em torno do crescimento da economia, fazendo o empresariado abortar investimentos.

PIB. Esse mesmo quadro desalentador levou o ministro Mantega a acelerar o anúncio de novas medidas para incentivar a atividade econômica. Quando o BC previu em dezembro o crescimento de 3,5% para este ano, o cenário era outro. Esperava-se 3% no ano passado, mas o resultado final foi de 2,7%. Ou seja, desempenho pior.

Além disso, o BC previa retomada mais rápida do crescimento nos primeiros meses do ano, o que não se confirmou. A expansão mais fraca da economia tem reforçado as apostas do mercado financeiro de que o Copom fará na próxima reunião de abril mais um corte de 0,75 ponto porcentual, levando logo a taxa Selic para 9% - o piso que o BC fixou para a queda juros na última ata.

A dose maior de queda dos juros pode gerar efeitos no crescimento ainda este ano, como quer o Ministério da Fazenda. Mas, apesar da expectativa, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, rechaçou a avaliação de economistas de que o Copom trabalha com uma meta de inflação e outra de crescimento. "O foco da política monetária foi e continuará sendo a inflação. É claro que o cenário para atividade é levado em conta.". / A.F. e F.N.

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