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André Dusek/Estadão
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Estimativa do mercado para inflação deste ano se afasta da meta e já encosta em 6%

Economistas elevaram projeção para o IPCA pela décima semana seguida, para 5,97%, enquanto o teto da meta perseguida pelo Banco Central é de 5,25%

Fabrício de Castro , O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2021 | 09h12

BRASÍLIA - A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central e encostou em 6%. 

Na décima alta seguida, os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, de 5,90% para 5,97%. Há um mês, estava em 5,31%. A projeção para o índice em 2022 seguiu em 3,78%. 

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2023 e em 2024, que seguiu em 3,25%.

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). 

A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, também com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Para 2024 a meta é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Juros básicos

O mercado financeiro manteve em 6,50% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Com isso, os analistas seguem projetando alta dos juros neste ano.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou para 4,25% ao ano.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa para a taxa Selic em 6,50% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

PIB

No caso do Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa para a economia este ano passou de alta de 5,00% para elevação de 5,05%. Há quatro semanas, a estimativa era de 3,96%.

Para 2022, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB de alta de 2,10% para 2,11%.  Quatro semanas atrás, estava em 2,25%.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia da covid-19, que derrubou o PIB em 2020. Nos últimos meses, porém, a economia tem mostrado forte reação com a recuperação da atividade mundial e a alta dos preços das "commodities" (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo).

No Focus desta segunda, a projeção para a produção industrial de 2021 foi de alta de 6,20% para 6,23%. Há um mês, estava em elevação de 5,50%. No caso de 2022, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 2,43% para 2,36%, ante 2,30% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2021 foi de 62,10% para 61,60%. Há um mês, estava em 63,20%. Para 2022, a expectativa passou de 64,22% para 63,40%, ante 65,65% de um mês atrás.

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