André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Estimativas são de 360 votos favoráveis à PEC do Teto

Para um líder governista, se proposta não for aprovada, será o ‘impeachment fiscal’ de Michel Temer

Erich Decat, Idiana Tomazelli e Daiane Cardoso, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 05h00

Um integrante do Executivo e líderes dos partidos da base aliada ouvidos pelo Estado disseram que a tentativa de concluir a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto na Câmara antes de novembro, quando ocorre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que definirá o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic – , tem como objetivo dar sinais concretos aos agentes econômicos de que o ajuste fiscal prometido pelo governo do presidente Michel Temer está sendo cumprido.

Estimativas iniciais apontam que o governo terá entre 350 e 360 votos favoráveis à PEC. “Se não aprovar, será o impeachment fiscal de Temer”, resumiu um governista.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no fim de agosto, a mensagem do Banco Central foi interpretada pelo mercado como uma indicação de que o corte de juros está próximo.

No entanto, o documento reforçou que a queda da Selic, hoje em 14,25% ao ano, depende do comportamento da inflação e da aprovação de medidas de ajuste fiscal.

“Os ajustes necessários na economia podem ser aprovados e implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e queda das expectativas de inflação. Nesse caso, a redução de incertezas potencializaria os efeitos do ajuste monetário em curso”, disse a ata da reunião de agosto.

Na terça-feira, ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central reafirmou que os efeitos da política fiscal “estão associados ao processo de ajuste da economia, que envolve encaminhamento de importantes reformas propostas pelo governo (Temer) para apreciação pelo Congresso Nacional”. 

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