carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Estímulo à inovação

As ações recentes do governo no sentido de reforçar o potencial inovador das empresas representam um sinal positivo para o crescimento sustentável do País - como, por exemplo, a medida recentemente encabeçada pelo Ministério da Educação visando a facilitar o financiamento de projetos em universidades e centros de pesquisa por parte de empresas. Apesar de atuar no sentido correto, as iniciativas governamentais carecem de medidas complementares, e necessárias, para impulsionar ainda mais a inovação do País.São muitos desafios. Um deles é criar condições para que os estudantes, cientistas e técnicos dos centros de pesquisa tenham incentivos para montar seu próprio negócio. As iniciativas governamentais têm privilegiado as empresas de maior porte, com mais recursos financeiros e que podem se beneficiar dos abatimentos fiscais oriundos das leis de estímulo à inovação. Essas empresas tendem, contudo, a focar em suas linhas tecnológicas já estabelecidas (por exemplo, melhorias em produtos já existentes).Este enfoque não é indesejável, muito ao contrário. Mas se sabe que muitas inovações de impacto vêm de empreendedores que saíram de universidades e montaram seu negócio para explorar novos produtos e tecnologias. Microsoft, Apple, Google e milhares de empresas de biotecnologia são exemplos. Poderia, assim, ser mais interessante estimular os estudantes e pesquisadores a montarem, eles próprios, seus negócios.No Brasil, em geral, existem diversos obstáculos a enfrentar na montagem de um negócio, principalmente se for de natureza inovadora. Os principais limitadores são os custos para abrir e fechar uma nova firma e a falta de capital de risco.Embora varie substancialmente de município a município, sabe-se que, em linhas gerais, são necessários cinco meses para constituir formalmente um novo negócio - sem contar os custos e entraves burocráticos. Mais ainda, empreendedores que fracassam - fato absolutamente normal, mesmo em países desenvolvidos - têm sérias dificuldades e impedimentos legais para se reerguer.Complicando o cenário, pesquisadores carecem de recursos diretos para montar sua própria empresa. Os chamados angel capitalists - investidores e fundos que apóiam empresas em estágio nascente - são raros no Brasil. Além disso, investidores têm buscado, na maioria, firmas estabelecidas e em setores consolidados, ao invés de empresas com propostas inovadoras.Em países desenvolvidos, investidores e empresas de grande porte tendem a participar com uma parte restrita do capital de empresas no seu estágio nascente (sem ter, contudo, total controle sobre elas), podendo, no futuro, exercer a opção de aumentar sua participação acionária ou até mesmo adquirir as empresas inovadoras. É esta dinâmica entre o mercado de capitais, empresas estabelecidas e de menor porte que, em grande parte, explica a pujança do capitalismo de diversos países desenvolvidos.No Brasil, entretanto, existe outra agravante: o sistema de proteção à propriedade industrial carece de confiança. Do mesmo modo que é custoso e demorado montar uma firma no Brasil, também é para obter patente. Normalmente, desde o pedido até a obtenção da patente é preciso esperar de cinco a sete anos. É muito tempo, dado que empreendedores precisam de segurança legal para explorar o potencial comercial de sua inovação.Além disso, os eventos recentes com os medicamentos anti-retrovirais suscitaram questionamentos sobre a legalidade da ação e põem em dúvida a estabilidade do sistema de patentes. É absolutamente necessário um maior comprometimento do governo para preservar os direitos de propriedade dos inovadores. Isso, inevitavelmente, passa pelo fortalecimento do próprio Judiciário na matéria de propriedade industrial.Não há dúvida de que o estímulo à inovação deva ser cada vez mais enfatizado. Em várias áreas do conhecimento, o Brasil tem um corpo de pesquisadores de nível internacional. E esse conhecimento deve se reverter, para o bem do País, em produtos e tecnologias comercialmente exploráveis. Sem um ambiente institucional adequado, as ações para impulsionar a inovação podem, eventualmente, atingir resultados aquém do esperado.

Sérgio G. Lazzarini e Henrique M. Barros*, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.