Estímulo a investimentos é melhor estratégia para incrementar PIB, diz Merrill Lynch

Segundo banco, redução da TJLP visa a incentivar empresas a tomarem empréstimos do BNDES pois o ritmo do crédito está mais lento que esperado pela instituição

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

27 de junho de 2012 | 15h57

SÃO PAULO - O chefe de economia e de estratégia para o Brasil do Bank of America Merrill Lynch, David Beker, afirmou que o estímulo aos investimentos é a melhor estratégia que o governo pode adotar para incrementar o PIB neste ano, em meio a um cenário externo tão negativo, marcado por recessão na Europa, desaceleração na China e fraca recuperação do nível de atividade nos EUA. "Nesse contexto, o governo está reduzindo a TJLP e antecipando as compras governamentais", destacou.

Segundo ele, a redução da TJLP, de 6% para 5,5%, visa incentivar as empresas a tomarem crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pois o ritmo da concessão de crédito desde o início do ano está numa velocidade aquém do esperado pelo banco oficial. "Para que os desembolsos do BNDES subam 8% no ano ante 2011, o ritmo dos empréstimos precisa acelerar bem no segundo semestre", comentou.

Para Beker, seria oportuno também que o governo melhorasse o ambiente de negócios no País, especialmente com a reforma tributária, o que reduziria o peso dos impostos sobre as empresas e daria mais flexibilidade para aplicar recursos na ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo. Segundo ele, uma medida que vai nesse sentido é a intenção do Poder Executivo de adotar um novo patamar de ICMS com o consentimento dos Estados, o que seria um passo relevante para a adoção de uma reforma tributária parcial.

De acordo com o executivo do Bofa Merrill Lynch, o incentivo do governo para o consumo com uma série de medidas fiscais e monetárias, como a redução da Selic de 12,50% para 8,50% ao ano desde agosto, são legítimas para estimular o nível de atividade, dado que o cenário externo está contaminando muito o crescimento no Brasil neste ano. "A crise internacional está atingindo o crescimento do País acima do esperado, com maior intensidade, sobretudo, em relação às expectativas de empresários para investir e das famílias para consumir", disse.

Na avaliação de Beker, outro fator que pode explicar porque a desaceleração da economia global está atingido mais o Brasil agora do que em 2008/2009 é porque a crise na Europa é crônica e ainda vai levar alguns anos para ser resolvida. Quando eclodiu a quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008, ocorreu um evento súbito de "crédit crunch", que teve, por outro lado, uma resposta mais firme e rápida dos principais polos econômicos no mundo, especialmente de EUA, China e Europa.

Além da queda de juros para níveis muito baixos pelos principais bancos centrais do planeta, ocorreu um programa de estímulo fiscal muito forte, particularmente anunciados pelas autoridades do governo de Pequim. "Hoje, os estímulos monetários tradicionais dos países avançados tem muito mais limites, inclusive porque as taxas reais de juros são negativas", ponderou. "Além disso, não se espera que a China vai adotar mais um pacote de super estímulo fiscal de investimentos ,como fez há três anos", ponderou. O Bofa Merrill Lynch espera que o banco central chinês fará mais um corte de juros da taxa básica da economia, de 0,25 ponto porcentual no final deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.