Estímulo do BC japonês é necessário, mas reformas são importantes, diz OCDE

O Banco do Japão, banco central do país, deveria continuar com seu "quantitative easing" (programa de compra de títulos) expandido para atingir a meta de inflação, mas isso pode não ser suficiente para estimular um crescimento econômico sustentável a não ser que esteja aliado a reformas estruturais, informou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira.

STANLEY WHITE, Reuters

23 de abril de 2013 | 09h10

O governo do Japão deveria manter seu plano de dobrar o imposto sobre vendas para 10 por cento, compilar um plano detalhado para retornar a um superávit primário orçamentário em 2020 e impulsionar a receita de outros impostos, afirmou a OCDE.

O tamanho da consolidação fiscal necessária significa que o Japão enfrenta de fato o risco de um aumento nas taxas de juros que irá afetar o sistema financeiro devido à sua ampla exposição aos títulos do governo, disse a OCDE.

"O novo programa de 'quantitative e qualitative easing' deve ser implementado para atingir a nova meta de 2 por cento de estabilidade de preços, embora isso possa não ser suficiente", informou a OCDE na pesquisa econômica sobre o Japão.

"Seguir adiante com reformas estruturais em uma frente ampla é igualmente imperativo para alcançar o crescimento sustentável."

Neste mês, o BC japonês comprometeu-se com compras de ativos ilimitadas para quase dobrar a base monetária para 270 trilhões de ienes (2,72 trilhão de dólares) até o final de 2014, com o objetivo de acabar com 15 anos de deflação e alcançar a meta de 2 por cento de inflação em dois anos.

Em uma entrevista à imprensa, autoridades da OCDE disseram que não têm certeza sobre quando o Japão irá atingir sua meta de inflação, mas que estão dispostos a dar ao BC japonês alguma margem desde que os preços estejam se aproximando da meta.

Os preços ao consumidor do Japão ainda estão mostrando pequenos declínios anuais, e muitos economistas do setor privado duvidam que o Banco do Japão possa alcançar sua meta de preço até 2015.

A OCDE estima que o núcleo de preços ao consumidor do Japão, que exclui alimentos e energia, vai subir por volta de 0,5 por cento no quarto trimestre de 2014, ante o mesmo período do ano anterior.

É importante para o Japão acabar com a deflação porque isso reduz o Produto Interno Bruto (PIB) nominal, o que piora a proporção dívida/PIB do país, disse a OCDE. O peso da dívida do Japão já é o pior entre as principais economias, equivalendo a mais de duas vezes o montante de sua economia de 5 trilhões de dólares.

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