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Estímulo não resolve o problema, diz economista

A prorrogação das desonerações tributárias como incentivo ao consumo, anunciada ontem pelo governo federal, é insuficiente para levar o Produto Interno Bruto (PIB) do País a um crescimento de 2%. A avaliação é de Aloísio Campelo, coordenador de Sondagens Conjunturais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para quem as condições de crescimento para este ano "já estão dadas". "Mesmo se houver um período de aceleração mais forte em agosto, não está sendo apontado até agora nenhuma reação exuberante para o terceiro trimestre, então o crescimento do quarto trimestre não será suficiente (para fazer o PIB avançar mais de 2%)", disse.

O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h04

Ele concorda, no entanto, que com o anúncio feito ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, poderá alcançar mais facilmente o objetivo já anunciado de elevar o ritmo de crescimento da economia para uma taxa anualizada da ordem de 4% no quarto trimestre deste ano. Esse feito permitiria um cenário mais robusto para 2013, com possibilidade, segundo Campelo, de expansão de 4%.

Ao prorrogar o benefício fiscal gerado pela redução do IPI de carros e de produtos da linha branca, o governo federal reconhece que os setores beneficiados estão distantes de uma recuperação sustentável. Para o economista e sócio da RC Consultores Paulo Rabello de Castro, esses setores podem inclusive estar sendo reféns de estímulos de curto prazo, como esse. "Conversamos com muita gente do varejo automobilístico e de linha branca e identificamos uma forte preocupação com as vendas despencando após o fim do IPI menor", diz Rabello de Castro, que também é presidente do braço econômico do Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

O economista diz ainda que esse tipo de medida funciona como "aspirina" e não resolve a necessidade de revisão estrutural do modelo tributário brasileiro. Castro afirma também que já esperava pela prorrogação das desonerações, pois seria uma alto custo político para o governo passar pelos meses de setembro e outubro com números negativos de vendas. "É uma medida esperta e inteligente, mas está na hora de discutir se o IPI merece continuar vigorando no Brasil", diz. / BIANCA RIBEIRO

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