Ints Kalnins/Reuters - 2/12/2015
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Estônia abre posto de atendimento em São Paulo para facilitar 'cidadania digital'

Programa, que ganhou força na pandemia, permite que estrangeiros trabalhem remotamente para empresas estonianas, gerenciem companhias e contas bancárias e paguem impostos de maneira digital 

Felipe Laurence, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 10h47

O governo da Estônia lança nesta quarta-feira, 5, em conjunto com a indiana BLS International, um posto de atendimento em São Paulo para a emissão de cartões e divulgação de informações sobre seu programa de cidadania digital, o chamado e-Residency. Lançado em 2014, o programa permite que pessoas trabalhem remotamente para empresas estonianas, abram e gerenciem companhias e contas bancárias no país báltico, declarem impostos e assinem documentos, tudo de maneira digital.

"Quando a Estônia conseguiu sua emancipação da Rússia em 1991, após décadas de ocupação, precisou refazer toda sua infraestrutura para não depender dos russos e nisso sempre apostaram em uma digitalização muito forte", comenta Almir Maestri, cônsul honorário da Estônia no País, em entrevista ao Estadão/Broadcast. O país de 1,3 milhão de habitantes e declarou o acesso à internet como direito básico em 2000 e desde então se tornou referência em serviços digitais para a população.

Maestri conta que o e-Residency surgiu da necessidade do país de trazer mais empreendedores e fortalecer a economia digital. "Havia muita fuga de talentos locais para os Estados Unidos e outras nações com alto grau de desenvolvimento tecnológico, então foi uma forma de compensar esse movimento", diz. 

A iniciativa deu certo. Atualmente são cerca de 80 mil cidadãos, sendo 17 mil empresas fundadas por eles, que vendem para 170 países e têm receita de 3,68 bilhões de euros.

A abertura de um posto de atendimento no Brasil faz sentido, na visão do cônsul honorário. A Estônia não tem representação diplomática no País desde 2017, quando fechou sua embaixada por corte de custos, então brasileiros que se registravam no e-Residency tinham que emitir seus cartões de identidade no país mais próximo, Portugal, e trazer por vias secundárias. "O Brasil está entre os 50 países que mais pedem o e-Residency, facilitar o processo foi uma decisão fácil para o governo."

A pandemia de covid-19 e a crise decorrente dela fizeram, segundo Maestri, a procura pelo e-Residency aumentar. "O brasileiro tem um viés muito empreendedor e gosta de resolver as coisas por si próprio. Com a crise, o governo viu uma aumento nesses 'nômades digitais' e agora procura atender às demandas de empresários locais, que buscam expandir seus negócios e entrar no mercado europeu."

Além de São Paulo, a Estônia abre nesta quarta postos em Cingapura, Bangcoc (Tailândia) e Johanesburgo (África do Sul), todos mercados de destaque para o e-Residency. "Agora quem se inscrever no e-Residency terá mais de 50 pontos de retirada de cartões e informações, entre embaixadas e empresas parceiras ao redor do mundo", comemora Maestri.

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