Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas
Rafael Neddermeyeri/Fotos públicas

Estoque da dívida pública sobe 2,38% em março e vai a R$ 2,88 trilhões

Com a valorização do real frente ao dólar no mês passado, a dívida externa recuou quase 6%, a R$ 133,19 bilhões

O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2016 | 12h50

BRASÍLIA - O estoque total da dívida pública federal, incluindo as dívidas interna e externa, teve alta de 2,38% em março sobre fevereiro, a R$ 2,887 trilhões, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 25. No mês passado, o País voltou a fazer captações externas e o mercado cambial influenciou o resultado.

A dívida externa recuou quase 6%, a R$ 133,19 bilhões, devido sobretudo à valorização do real frente às moedas que compõem o estoque do passivo. O dólar, por exemplo, caiu pouco mais de 10% sobre o real no período.

No mês passado, o governo captou US$ 1,5 bilhão, ou R$ 5,42 bilhões, por meio do Global 2026, novo título de referência.

O Tesouro informou ainda que a dívida pública mobiliária federal interna subiu 2,81% em março sobre o mês anterior, somando R$ 2,754 trilhões. A emissão líquida somou R$ 45,03 bilhões no mês passado, com apropriação positiva de juros de R$ 30,25 bilhões.

Para 2016, o Tesouro fixou a dívida total entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF).

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Leandro Secunho, destacou que o estoque do endividamento ainda está fora do previsto no PAF de 2016. "Esperamos encerrar o ano dentro do intervalo, já que ainda restam nove meses neste exercício", avaliou. Ele explicou que o aumento de 2,38% da dívida em março se deveu à apropriação de juros e emissão líquida de títulos no mês.

Em relação à composição da dívida pública federal, os títulos atrelados à Selic reduziram seu peso, passando a 24,92% no mês passado, sobre 25,09% em fevereiro.

No ano, o Tesouro estima que essa fatia ficará em 30% a 34% da dívida, já que esses papéis pós-fixados têm maior procura pelos investidores em momentos de percepção de aumento de risco.

Os títulos prefixados passaram a 37,17% em março, contra 36,56% no mês anterior, ao passo que os papéis corrigidos pela inflação foram a 33,08%, sobre 33,05% antes.

"Até o fim de 2016, os vencimentos de prefixados somam R$ 330 bilhões, os de índices de preços somam R$ 115 bilhões e os de Selic somam apenas R$ 14 bilhões", explicou Secunho. "A nossa expectativa é de que em dezembro, os títulos atrelados à taxa flutuante retornem para as bandas do PAF".

Em março, a parcela dos investidores estrangeiros em títulos da dívida interna caiu a 16,73%, contra 17,72% em fevereiro.

Secunho disse ainda que a expectativa do Tesouro é de que a participação das instituições financeiras como detentores dos papéis da dívida - que subiu em março para 24,28% - volte a cair em abril, com o vencimento de títulos. "Em março, os investidores estrangeiros se desfizeram de R$ 35 bilhões em títulos com vencimento em 1º de abril e esses papéis foram absorvidos pelas instituições financeiras, Agora em abril, com o vencimento, esses títulos saem das carteiras dos bancos", explicou. 

Sobre o mercado secundário em março, Secunho destacou que 70% das negociações no mês passado foram de títulos prefixados. "Houve aumento do giro total e vemos uma tendência nesse sentido. Os títulos estão sendo mais negociados no mercado secundário, inclusive em relação ao seu estoque", completou. (Reuters e Rachel Gamarski e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado)

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