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Estoque da indústria recua pela 1ª vez desde maio

Apesar da redução nos estoques, o índice de confiança da indústria caiu 0,2% em outubro, de acordo com levantamento da FGV

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2013 | 02h13

Pela primeira vez desde maio, o indicador de estoques da indústria recuou este mês. O resultado atenuou a queda do indicador geral da confiança dos empresários da indústria em outubro, que se retraiu 0,2% em relação a setembro, segundo a Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas o enxugamento dos estoques de setembro para outubro não foi suficiente para impulsionar a produção prevista para o quarto trimestre. Há poucas semanas, o estoque de carros era o mais alto em 16 meses.

"Não dá para dizer que o tom é de otimismo, mas os resultados deste mês são menos pessimistas do que os de setembro", afirma o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.

Em setembro, a confiança dos empresários tinha caído 1% em relação a agosto, descontadas as influências sazonais. O resultado tinha sido afetado principalmente pelo acúmulo de estoques.

Neste mês, 6,5% das 1.238 indústrias consultadas pela pesquisa tinham estoques excessivos, excluída a fatia daquelas empresas com produtos insuficientes em seus depósitos. Este resultado é menor do que o obtido em setembro (7,7%), porém está acima da média histórica dos últimos cinco anos (4,2%).

De setembro para outubro, também diminuiu o número de segmentos superestocados. A pesquisa considera o segmento superestocado quando a parcela de empresas com estoques excessivos supera 10%. Neste mês, três segmentos estão nesta condição: mecânica, material de transporte e têxtil. Em setembro eram cinco setores, incluindo a indústria mecânica, a de material de transporte e os fabricantes de papel e celulose, produtos de matérias plásticas, vestuário calçados e artefatos de tecido.

A sondagem mostra que a proporção de empresas superestocadas na indústria mecânica e de material de transporte diminuiu em relação a setembro, mas o nível ainda é elevado. No caso da indústria mecânica, 15,5% das empresas estão com estoques além da conta. Em setembro eram 20%. No caso do material de transporte, a parcela de empresas com estoques excessivos era 25,9% em setembro e recuou para 20% este mês.

Além dos três segmentos superestocados, outros três estão com volume excessivo de produtos acabados este mês: matérias plásticas, produtos alimentares e minerais não metálicos. Os oito segmentos restantes avaliados têm estoques considerados normais.

Freio. Por causa da demanda fraca no mercado interno e no exterior, e do peso dos estoques em setores importantes, as indústrias reduziram o ritmo de produção. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) das fábricas, descontadas as influências sazonais, recuou para 84,1% em outubro, ante 84,2% em setembro e 83,4%, que é a média histórica dos últimos cinco anos. Desde junho, o Nuci está em queda. "Esse movimento reflete o desequilíbrio dos estoques e a desaceleração da demanda", diz Campelo.

Apesar de a indústria iniciar o último trimestre com ritmo de atividade ainda fraco e com a demanda prevista para três meses com retração ante setembro, há na sondagem um dado que destoa dos demais: o emprego previsto para três meses.

Esse indicador aumentou 2,2% de setembro para outubro, descontada as influências sazonais, depois. "O emprego tem a ver com o médio prazo e os empresários estão levando em conta o movimento dos estoques e do câmbio", explica Campelo. Ele pondera que o patamar do indicador era baixo.

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