"Estoque" mantém mercado de imóveis

As operações de financiamento da casa própria para a classe média, suspensas no final de agosto pela Caixa Econômica Federal, continuaram tendo grande procura. Muitos empreendimentos haviam sido autorizados pela instituição, para serem vendidos pelas antigas regras do Programa de Demanda Caracterizada (Prodecar).Esse "estoque" de imóveis é o que tem ajudado a manter o mercado nos últimos meses, segundo o vice-presidente de Incorporação Imobiliária do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Basílio Jafet. "O setor sente muita falta da Caixa", diz, reconhecendo que os recursos provenientes de empréstimo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), obtido na semana passada, vieram em boa hora. Jafet aposta que "lá por março devemos ter empreendimentos novos no mercado para financiamento com dinheiro do FAT".Outra boa notícia para o setor é que processos antigos, recebidos pela Caixa antes da suspensão do crédito para a classe média e que não tinham passado pela análise de risco, serão retomados no início de 2002, o que pode agilizar a autorização de alguns lançamentos. De acordo com Jafet, em São Paulo há cerca de duas mil unidades esperando pela aprovação da Caixa para serem lançadas.Segundo João César Miranda, diretor da Pluricorp, empresa de empreendimentos imobiliários, nos últimos meses só lançamentos com financiamento da Caixa tiveram bom desempenho. Um dos empreendimentos de Miranda, o Nova São Bernardo, na Grande São Paulo, oferece a possibilidade de compra pelas regras do Prodecar. TradiçãoEste é um bom momento para comprar um imóvel, segundo o diretor de Marketing da Itaplan Imóveis, Fábio Rossi Filho. "Alguns empreendimentos oferecem mais de uma forma de financiamento ", diz. No entanto, a escolha costuma recair na Caixa, atesta o diretor comercial da construtora Sergus, Luis Carlos Baccin. "O consumidor sempre procura o financiamento da instituição."O crédito direto com a construtora é outra alternativa do mercado. A mineira MRV tem uma linha de financiamento próprio há 15 anos. Com juros de 4% ao ano e prazo de até 84 meses, essas operações correspondem a 55% do total de vendas da empresa, que constrói apartamentos de até R$ 70 mil. "Este ano vendemos oito mil unidades nessa modalidade", diz o diretor Marco Caballero. "O preço fixo da primeira à ultima parcela e o saldo devedor sem ´surpresas´ é o que atrai o comprador."

Agencia Estado,

27 de novembro de 2001 | 10h14

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