Estoques crescem com o enfraquecimento do varejo

A evolução lenta da massa de salários, o aumento do juro (e do custo do crédito), a inflação persistente e a desconfiança quanto ao futuro desestimulam o consumo e provocam elevação de estoques de produtos no comércio varejista, segundo reportagem de Márcia De Chiara, no Estado (19/5). Sem a expectativa de retomada consistente nos próximos meses, é provável que o comércio reduza compras, transferindo para a indústria parte de seus problemas.

O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2014 | 02h09

São maiores os estoques dos itens de maior valor - e que mais dependem de crédito -, como eletroeletrônicos, móveis, computadores e celulares. Além disso, o comércio aumenta sua dependência de datas festivas ou eventos, mas o ritmo das vendas no Dia das Mães foi inferior ao esperado e há incerteza quanto ao consumo na Copa do Mundo, que começa daqui a três semanas. No setor de artigos esportivos, as vendas estão abaixo do previsto - as manifestações contra a Copa afastam os consumidores das lojas.

E o comércio reduz seu horizonte de planejamento: até a diminuição do número de dias úteis, em junho e julho, é vista como fator que poderá pressionar as vendas para baixo.

No primeiro trimestre, enquanto as vendas de móveis e de eletrodomésticos cresceram 6,5%, os estoques aumentaram 12,1%; e no segmento de informática, comunicação e material de escritório, houve diminuição de 0,7% nas vendas e elevação de 5,4% nos estoques.

Os números, calculados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que o ritmo de alta dos estoques também cresceu mais do que o das vendas de vestuário, mas a situação é melhor nos setores de hiper e supermercados e de combustíveis e lubrificantes - ou seja, só é satisfatória no comércio de itens essenciais, em que a redução do consumo tem impacto direto na qualidade de vida ou na preservação da atividade.

Sem perspectivas de reativação da atividade econômica e do consumo, e como se constatou no indicador do Banco Central (IBC-Br) sobre o Produto Interno Bruto (PIB) relativo ao primeiro trimestre, há sinais de alerta para o varejo, pois o carregamento de estoques tem custo elevado, podendo descapitalizar as empresas.

O tempo de ouro do varejo ficou para trás, resumiu o economista Fabio Bentes, da CNC. O aumento do juro básico, para evitar um descontrole ainda maior da inflação, afeta crescentemente a economia, a começar do comércio.

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