Estoques já chegam a 318 mil veículos

Número supera o total de agosto de 2008, quando o mercado parou diante da falta de crédito na crise obrigando o governo a reduzir o IPI

Cleide Silva, Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

Com o fim do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), as indústrias automobilísticas e de eletrodomésticos começam a acumular estoques indesejáveis. As montadoras têm 318 mil veículos nos pátios das fábricas e das concessionárias. Em volume, é o maior dos últimos anos, à frente inclusive do registrado em dezembro de 2008, quando o mercado parou ante a falta de crédito provocada pela crise

Naquele mês, o encalhe de veículos somava 305 mil unidades, o equivalente a quase dois meses de vendas. Hoje, apesar de mais volumoso, equivale a 36 dias.

Apesar de não existir dados consolidados disponíveis do setor, a indústria de fogões, geladeiras e máquinas de lavar, acumula estoques indesejáveis, mesmo tendo reduzido o ritmo de produção.

Depois de crescer entre 30% e 35% as vendas no primeiro trimestre na comparação com igual período de 2009, houve recuo de 10% no mês passado e neste mês. Há empresas que deram férias aos trabalhadores, mas não cogitam demissões porque acham que vão retomar as vendas nos próximos meses.

Segundo fabricantes, além da volta do IPI, a Copa do Mundo, que impulsionou a venda de TVs, prejudicou os negócios nesta Copa, mais do que em outras. É que em outras Copas, o gasto era menor, na faixa de R$ 400, para comprar uma TV e não atrapalhava a venda de geladeira.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, diz que o estoque atual de carros ainda não é motivo de preocupação. "É necessário ter um estoque regulador para atender o fluxo das lojas e a preferência do consumidor." Mas, para analistas, o normal são cerca 25 dias.

Na opinião do economista Ayrton Fontes, da consultoria de varejo automotivo MSantos, "houve uma bolha de consumo principalmente no período em que as vendas eram subsidiadas". Em todo o ano passado, até março deste ano, os carros novos foram vendidos com redução do IPI.

Apesar do elevado estoque, Fiat, Volkswagen e Fiat não reduziram o ritmo de trabalho e seguem operando com horas extras, segundo informam comissões de fábrica e sindicatos de trabalhadores.

Outro indicador de que o mercado automobilístico não está em pane é o das vendas neste mês. Até quinta-feira, foram comercializados 189,1 mil veículos, 12% a mais ante o mesmo período de junho e 4,3% acima de julho de 2009. Na linha branca, as vendas industriais cresceram cerca de 7% no primeiro semestre ante 2009. A expectativa do setor é encerrar o ano com alta de 7% a 8% em relação a 2009.

O outro lado

7% foi o crescimento das vendas da linha branca no primeiro semestre ante mesmo período de 2009

7% a 8% é a previsão de avanço para o ano

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