Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Estoques revelam impacto da crise

Em um mês, número de indústrias com acúmulo excessivo de produtos subiu de 7,9% para 15,7%, segundo pesquisa da FGV

Marcia de Chiara e Paulo Justus, de O Estado de S. Paulo,

14 de dezembro de 2008 | 00h42

O impacto da crise, que começou na esfera do crédito, é visível nos pátios lotados das montadoras, nos armazéns das indústrias de aço, papel e celulose, produtos químicos e até nos depósitos das fabricantes de máquinas. Em apenas um mês, de outubro para novembro, dobrou o número de indústrias que carregam estoques excessivos, revela pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).  Veja a galeria de fotosVeja Também: Tudo encalhado. E a produção pára Em novembro, 15,7% das 1.112 empresas consultadas informaram que acumulavam estoques indesejáveis. Em outubro, 7,9% das companhias estavam nessa condição. O porcentual de indústrias abarrotadas de produtos é o maior em cinco anos, desde outubro de 2003, na série histórica que elimina oscilações típicas de cada período. Em outubro de 2003, 19,9% tinham estoques indesejáveis.  A diferença entre a situação atual de acúmulo de estoques e a de cinco anos atrás é que, naquela época, o País estava saindo da recessão, cortando os juros. Hoje, no entanto, a economia caminha para a desaceleração e com juros estabilizados em níveis elevados, o que amplia o custo de estoques altos, observa o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. "Os estoques excessivos na indústria refletem a desaceleração da atividade, mas é cedo para falar em recessão", pondera. A pesquisa revela que o maior salto no número de empresas com estoques excessivos foi exatamente nos setores que sofreram os primeiros efeitos da crise. Isto é, a indústria de material de transporte, que se viu às voltas com a falta de crédito para venda de carros; a indústria de matérias-primas ligadas à metalurgia, papel e celulose, afetada pela queda no consumo mundial e no preço das commodities; e os fabricantes de máquinas, atingidos pelo corte no investimento para 2009.  Em novembro, 32% das indústrias de material de transporte tinham estoques excessivos. Em igual mês de 2007, nenhuma delas estava nessa condição. A queda abrupta no ritmo de vendas de veículos se irradiou para a metalurgia. Em novembro, 17% das indústrias do setor, que na pesquisa inclui o aço, tinham estoques indesejáveis, ante 3% em 2008. "Vamos virar o ano com dois meses de aço estocado", conta o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Até setembro, a companhia trabalhava sem estoque. Ele diz que todos os setores que usam aço adiaram as compras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.