‘Estou em crise permanente’,relata professora do RS

Servidores gaúchos continuam recebendo a conta-gotas; na última quarta, governo pagou 10ª parte do 13º de 2017

Lucas Rivas, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2018 | 22h00

Faltando um mês para chegada de dezembro, o drama dos servidores estaduais do Rio Grande do Sul continua o mesmo: atraso nos vencimentos somado ao parcelamento do 13.° salário. Ativos ou inativos, os servidores do funcionalismo gaúcho seguem recebendo a conta-gotas. Na última quarta-feira, o governo estadual pagou a décima parcela do 13.º salário de 2017.

Ao assumir um Estado mergulhado em uma crise financeira e econômica, o governador José Ivo Sartori (MDB), que tentou a reeleição, mas acabou sendo derrotado nas urnas, tem sido cobrado pelos servidores públicos pelo recorrente atraso de salários. De 2015 para cá, os vencimentos dos trabalhadores foram parcelados em 35 ocasiões.

Para a professora de artes e religião Luciene Luzardo, 46 anos, o parcelamento dos salários e do 13.° prejudicou o cotidiano da família. “Ficamos completamente sem dinheiro. No primeiro ano dos atrasos, minhas dívidas só acumularam. Consegui sair do vermelho porque um amigo me emprestou R$ 1 mil”, diz ela, que atua há dez anos na rede estadual de ensino, em Porto Alegre. “Estamos numa crise permanente. Nem presente de Natal dei ou vou dar para o meu filho, pois o 13.° vem aos poucos.”

Aposentada, a técnica do Tesouro Sônia Klein, de 56 anos, também leva a vida na ponta do lápis. Moradora do litoral gaúcho, ela diz que a esperança de contar com o benefício acabou. “É uma angústia. Venho tirando dinheiro da poupança para pagar o cartão de crédito. Além disso, o comércio todo depende do 13.° salário, mas a gente não consegue se planejar. Como vou pagar minhas contas?”

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