Eraldo Peres|AP
Eraldo Peres|AP

'Estou em governo transitório, mas não ajo como se estivesse', diz Temer

A uma plateia de empresários, presidente em exercício cometeu gafe ao falar da DRU e disse que vai apresentar na próxima semana o projeto de lei que limita os gastos públicos

Carla Araújo, Idiana Tomazelli e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2016 | 14h10

BRASÍLIA - O presidente em exercício, Michel Temer, afirmou nesta quarta-feira, 8, para uma plateia de empresários, que apesar de estar interino no cargo ele precisa trabalhar normalmente para poder retomar o crescimento da economia. "Estou em governo transitório, mas não ajo como estivesse, se não paralisaria o país", afirmou. 

Sem falar em herança maldita, Temer disse que é preciso que todos saibam que "não estamos encontrando o País com harmonia". Ele reconheceu que é preciso consolidar os "novos fundamentos da economia", mas disse que esse trabalho não será feito de "hoje para amanhã". "Mas é começar hoje para que muito brevemente coloquemos o País nos trilhos", afirmou. 

Segundo ele, o governo vai apresentar na semana que vem o projeto de lei que limita os gastos e reforçou que não se pode gastar mais do que se arrecada. "A limitação de gastos, que será revisada apenas em relação à inflação do ano anterior, é o que nos permitirá gastar novamente um e arrecadar um", disse.

Como tem feito em todas as suas falas, Temer destacou a harmonia entre o Executivo e o Legislativo. Segundo ele, essa interação é necessária em regimes democráticos. "Confesso que essa coisa de ideologia esta fora de moda, o que as pessoas querem é resultado e estamos trabalhando para dar resultados", disse. "Ao longo do tempo, posso dizer sem medo de errar, que fomos perdendo o respeito pelas instituições, gerando conflitância entre os brasileiros", afirmou. 

Temer destacou o lema de seu governo, disse que é preciso "ordem" para que se tenha "progresso" e criticou "alguns movimentos" por desobedecerem a ordem jurídica. "Enquanto protestam, nós passamos", disse.

Ao reforçar o apoio que seu governo tem do Congresso, Temer afirmou que sua primeira providência ao assumir o cargo foi reunir-se com os os líderes da Câmara e Senado e pedir atuação conjunta. "Vejam agora a interação conjunta do executivo e legislativo", frisou.

Ele destacou a aprovação da meta fiscal em uma madrugada e equivocadamente citou a "aprovação em segundo turno da Desvinculação de receitas da União (DRU)". O Plenário da Câmara, entretanto, só deve avaliar a projeto nesta quarta-feira. Segundo ele, os líderes compreenderam a importância da atuação conjunta, "tanto que depois de praticamente oito, nove meses que lá se achava a DRU, que é uma coisa importantíssima ao governo, em duas semanas aprovamos e ainda ontem em segundo turno de votação", disse. 

Ao pedir apoio dos empresários, Temer disse também que não teve mais de oito dias após a admissibilidade do projeto de impeachment para organizar o governo e que, ao assumir, muitos dados mostraram-se preocupantes. "No caso do déficit, o que era preocupante tornou-se extremamente preocupante", disse. 

Temer iniciou e finalizou o discurso dizendo que as palmas que recebia dos empresários eram verdadeiras, "pois vinham do coração" e afirmou que o que o governo mais precisa é do apoio do setor produtivo. O presidente em exercício destacou que os empresários estão esperançosos e afirmou que a palavra "esperança" vem de "fiança" e "espera", o que daria um crédito a seu governo. "Se os senhores se dispuseram a vir até aqui é porque os senhores estão interessados no Brasil e querem que o país cresça", afirmou. "Temos que trabalhar duro e temos esperança que vamos conseguir." 

O presidente em exercício disse ainda que o apoio da classe empresarial é fundamental e que o primeiro direito social é o emprego. "E ele só virá se houver atuação da iniciativa privada", disse.

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