'Estou reduzindo minha participação na empresa'

O perfil empreendedor de Roberto Bielawski começou a se configurar quando ele tinha 25 anos e abriu um quiosque para vender comida barata e de qualidade. Mais tarde, criou as redes Viena e Ráscal. Prestes a completar 60 anos, diz que, aos poucos, está passando o controle da empresa para outros sócios.

Letícia Bragaglia, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

1. O senhor costuma dizer que o começo foram tempos heroicos. Como foi esse período?

Comecei um negócio sem ter ideia do que estava fazendo, apenas porque precisava de dinheiro. Tinha 25 anos e trabalhava 18 horas por dia. Fazia de tudo: comprava, atendia o cliente, fechava o caixa e discutia com o fornecedor.

2. Em 2009, quando já tinha 60 lojas do Viena, o senhor vendeu a cadeia para um grupo internacional. Foi uma decisão difícil?

Não foi difícil porque o Viena precisava crescer, se expandir para outros Estados e para o exterior, e eu não tinha condições de fazer isso. Vi que os atuais controladores poderiam conduzir esse projeto.

3. Em 1994, 20 anos depois de ter fundado o Viena, o senhor criou uma nova cadeia de restaurantes, a Ráscal. O que o levou a dar esse passo?

Minha mulher viajou para Berlim e viu um conceito de restaurante em que a comida era preparada na frente do cliente. Adorei e decidimos fazer algo com essa inspiração.

4. Como o senhor divide seu tempo na administração das nove lojas (seis em São Paulo e três no Rio de Janeiro)?

A Ráscal é um negócio muito estruturado. Estamos com 875 funcionários e vamos para mil. Há um corpo de diretores que se tornaram sócios da empresa e que toca o dia a dia do negócio. Estou reduzindo minha participação para que eles possam ampliar a deles. Acho que isso vai ser muito positivo para o futuro da empresa.

5. Durante todo esse tempo o senhor trabalhou com sua mulher, Liane, ao seu lado. Essa parceria deu certo?

Trabalhei com minha mulher a vida inteira e tem sido maravilhoso. Gosto muito de conviver com ela. Nós nos divertimos muito. Ela finge que eu tenho a última palavra, mas ela tem um poder de decisão muito grande.

6. Como empresário, o senhor tem muitas responsabilidades. Já pensou em desistir?

Muitas vezes. As pressões são muitas. Mas pesa muito o lado positivo, o reconhecimento do trabalho. Pra mim é quase uma missão. /

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