Adriano Machado/ Reuters
Paulo Guedes, ministro da Economia Adriano Machado/ Reuters

'Estou surpreso com a surpresa de vocês sobre o PIB', diz Guedes

Ministro da Economia afirma que crescimento de 1,1% já era esperado pelo governo, mas resultado é menos da metade do projetado inicialmente pelos economistas

Amanda Pupo e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 17h59

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o resultado do PIB de 2019 de crescimento de 1,1% já era esperado pelo governo. Após participar de um evento com o presidente Jair Bolsonaro, ele afirmou que a expectativa do governo é que, neste ano, a economia cresça 2%, caso as reformas avancem no Congresso.  

“Até agora, eu não diria que houve surpresa nenhuma. Estou surpreso com a surpresa que vocês estão tendo”, disse à imprensa ao fim de cerimônia no Palácio do Planalto. Ao sair do prédio do ministério em Brasília para ir ao evento, Guedes já havia afirmado não ter entendido a “comoção” com o resultado.

O resultado do PIB de 2019 é menos da metade do projetado inicialmente pelos economistas. Em dezembro de 2018, às vésperas da posse do presidente Jair Bolsonaro, analistas do mercado financeiro renovaram a aposta na retomada e projetaram crescimento de 2,55% para o ano passado.

Foi o terceiro ano seguido de fraco crescimento da economia brasileira. Em 2017 e em 2018, a primeira divulgação do PIB mostrou expansão de 1,1%. Posteriormente, os dados foram revisados para 1,3%. Em 2015 e 2016, houve queda no PIB.

O ministro afirmou que a economia brasileira tem dinâmica própria, e que, independentemente da epidemia do coronavírus, o Brasil vai reacelerar o crescimento, considerando a realização de reformas. “O Brasil é País de dimensão continental, tem própria dinâmica de crescimento, se fizermos nossas reformas, vamos reacelerar nosso crescimento”, disse. “Se as reformas continuam, nós achamos que vamos passar de 2%”, afirmou.

Guedes ainda explicou novamente sua visão de que o País não é “uma folha ao vento do comércio internacional”, e que tem potência para superar efeito do coronavírus. “Vai atrapalhar um pouco, mas temos potência suficiente para superar esse efeito. Brasil não é uma folha ao vento do comércio internacional”, disse, acrescentando que a China não deixará de comprar produtos agrícolas do Brasil em função da epidemia.

“Naturalmente, quando o mundo começa a desacelerar, quem sofre os maiores impactos são as economias mais abertas, então a crise começou na China. E a China é uma economia muito aberta, então ela pega o maior dos impactos. Os maiores parceiros comerciais dela vão sofrer impacto também. A China compra muito produto agrícola do Brasil, ela não vai parar de comer. Chinês pode ter coronavírus, ele vai precisar comprar soja, vai continuar comprando produtos agrícolas nossos”, afirmou, pontuando que, enquanto o mundo cresceu sincronizadamente durante "20, 30 anos", o Brasil ficou fora.

"O Brasil afundando e o mundo acelerando. Agora o mundo começou a desacelerar e nós estamos reacelerando, estamos fora de fase com eles", comentou.

Também nesta quarta, o secretário-especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou que o resultado do PIB no ano passado veio em linha com o esperado.

"A dinâmica do ano passado, separada por semestres, mostra um segundo mais forte e dinâmico do que o primeiro. Porque aprovamos a maior reforma paramétrica da reforma da previdência no Brasil. Veja a dificuldade de outros países. E medidas como o FGTS, que antecipamos a devolução de R$ 43 bilhões", declarou.

Para este ano, o secretário afirmou que é importante manter a agenda de reformas, com a votação da PEC dos fundos públicos, além das PECs da emergência fiscal, do pacto federativo, e mudanças no regime de recuperação fiscal dos Estados. Também defendeu a aprovação das reformas administrativa e tributária.

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