Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

‘Estou vivendo à base de empréstimo’, diz servidora

Funcionária do Instituto Estadual do Ambiente, Ângela Chirol diz que vai continuar protestando, mesmo com bombas

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2016 | 23h27

RIO - Os servidores que participaram do protesto na Asembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) demonstraram disposição para continuar nas ruas até o fim do ano, quando terminarão as votações dos projetos do governo do Estado para conter a crise financeira. Nesta quarta-feira, 16, deputados começaram a discutir o pacote de medidas propostas pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para conter a crise fiscal no Estado.

“Estou vivendo à base de empréstimo e cheque especial. Hoje entraria a primeira parcela do salário de outubro e será só para pagar juros ao banco. Tenho 62 anos e vou continuar vindo, mesmo com bomba e gás lacrimogêneo. Sou servidora há 39 anos e nunca vi algo assim. Desde o 13.º parcelado de 2015 só piorou. O governo não sabe da nossa situação? Honramos nossas calças e saias”, disse a funcionária do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Ângela Chirol.

“Todo mês é uma briga para receber o salário. Não merecemos viver assim. Foram anos de gastos como eles queriam, agora, não mais. A pressão que fazemos tem dado resultado, e não pode parar. Eles estão voltando atrás. Ouvi que os servidores são privilegiados, mas não é verdade, a maioria ganha mal e trabalha sem estrutura, saúde, educação, segurança. Tem muita gente do nosso lado”, afirmou a servidora Edilene Joaquim, de 42 anos, do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

“O mínimo que temos que fazer é nos indignar. Venho por mim e pelas praças da corporação. Pelas viúvas pensionistas, os órfãos. É muita covardia. Se não fosse tão injusto, ninguém viria. O governo é insensível. As medidas são inconstitucionais. O governador não mexe com o legislativo nem o judiciário, com as isenções fiscais, só conosco. Parece que vivemos na época medieval, eles cercados num palácio e o povo do lado de fora”, criticou o coronel do Corpo de Bombeiros Sergio Rocha, de 54 anos. 

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