Estrada de ferro Sorocabana passou por várias mãos

À primeira vista, a fachada imponente da estação da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), em Sorocaba, sugere que o prédio está bem conservado. 

André Borges, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2014 | 18h08

Erguida em estilo inglês, a estação recebeu seu primeiro trem nos idos de 1875. Basta se aproximar um pouco, porém, para perceber o estado de abandono em que se encontra a estação. As paredes estão apodrecendo. Na área interna, onde funcionava o embarque e desembarque de passageiros, telhas estão despencando. Para evitar acidentes, o centro de informações turísticas, que funciona numa das poucas salas preservadas do prédio, decidiu limitar o acesso de excursões escolares. 

Toda a área da estação, teoricamente, está fechada para a circulação pública. A reportagem, no entanto, flagrou pessoas circulando pela estação e pelas dezenas de vagões apodrecidos. O consumo de crack corre solto, à luz do dia. Apesar de o entorno da estação ser fechado por alambrados, alguns trechos da proteção foram abertos. 

Construída 140 anos atrás, a Sorocabana foi fundada por fazendeiros da região de Itu e empreendedores de Sorocaba. A ferrovia foi implementada para escoar algodão, mas logo passaria a ser usada para o transporte de café. 

História. Inicialmente, tinha 120 km de extensão, entre São Paulo e Ipanema, passando por Sorocaba. Depois, incorporaria a malha da Companhia Ituana de Estradas de Ferro, chegando a 820 km de trilhos. Não faltaram donos para a Sorocabana, que trocou de mãos diversas vezes, passando por empresários, governo de São Paulo e União. 

Em 1971, a EFS fez parte do bloco de ferrovias que seria incorporado pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA), antiga Fepasa. Seguiria dessa forma até 1994, quando foi incorporada pela CPTM. Cinco anos depois, em janeiro de 1999, passou para as mãos da concessionária Ferroban. Hoje, a malha é operada pela América Latina Logística (ALL). 

Questionada sobre os problemas, a ALL informou que, ao longo do ano, removeu cerca de mil vagões obsoletos. Material que, segundo a empresa, estava devidamente guardado em pátios operacionais da companhia. “A concessionária, atendendo rigorosamente aos contratos de concessão e arrendamento, vem adotando regularmente medidas de destinação de ativos inservíveis para casos em que não exista possibilidade de manutenção.” 

Espera. Sobre o amontoado de vagões e locomotivas sem uso, a concessionária esclareceu que “os vagões que aguardam recuperação, manutenção ou baixa definitiva estão estacionados nos pátios ferroviários ao longo na malha férrea. 

A respeito da demora na solução dos problemas, a companhia ressaltou que “todo processo de baixa de ativos necessita ser conduzido pela agência reguladora (ANTT)”. 

Quanto à circulação de usuários de drogas, a empresa informou que mantém “segurança regular em toda a extensão da malha férrea”.

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