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Estradas têm 57 pontos de paralisação pelo País; motorista morre em protesto no RS

Polícia faz buscas para tentar encontrar o motorista, que fugiu; em SP, motoristas negociam uma trégua para o fim de semana

Lucas Azevedo, Fátima Lessa, Sandro Villar e Tânia Monteiro, Especial para o Estado

28 Fevereiro 2015 | 10h54

Atualizado às 16h.

Aumentaram de 45 para 57 o número de pontos de bloqueio de caminhoneiros no País, com o surgimento de paralisações em mais dois estados: Rio de Janeiro e Maranhão. Às 15 horas, eram seis estados com problemas, contra cinco às 10 da manhã. No Rio Grande Sul, onde o movimento está mais concentrado, a categoria não só não recuou, como ampliou de 22 para 28 os locais onde estão impedindo a passagem de outros caminhões que transportam cargas. Às 15 horas a situação era de 5 pontos de paralisação em Mato Grosso, 10 no Paraná, 12 em Santa Catarina, 28 no Rio Grande do Sul, um no Maranhão e um no Rio de Janeiro. 

Apesar da evolução dos números, o governo continua apostando que a paralisação está concentrada no sul do País, mas que está cedendo, comparando o mesmo horário de sexta-feira com o deste sábado. Na sexta às 14h30 eram 58 pontos em cinco estados e hoje são 57, em seis estados. Na avaliação do Ministério da Justiça, eventualmente aparecem pontos de bloqueio em estados diferentes, como houve nessa sexta em São Paulo e neste sábado, no Rio de Janeiro e Maranhão. Segundo eles, estes bloqueios considerados esporádicos são logo dissipados. No entanto, o bloqueio na Via Dutra, em São Paulo, teve reflexos imensos no trânsito da capital nessa sexta-feira.

Na sala de crise do Ministério da Justiça, onde está sendo feito o monitoramento das estradas do País, houve mais um registro de incidente na tarde deste sábado, desta vez no Paraná. Em Astorga, um motorista ao tentar furar o bloqueio sofreu tentativa de incêndio em seu caminhão. Um manifestante foi preso no protesto. Era Júlio César Pereira, de 49 anos e que está detido na delegacia de Apucarana, já que existia um mandado de prisão aberto contra ele por roubo de cargas.


Atropelamento. Havia uma preocupação no governo com a morte de um caminhoneiro, ocorrida no Rio Grande do Sul, justamente onde o movimento está mais acirrado. O caminhoneiro Cléber Ouriques, de 28 anos, foi atropelado e morto por um colega que furou o bloqueio na BR-392, na região de Santa Maria (RS). No estado, o número de pontos de bloqueio permaneceu inalterado, com 22 locais de bloqueio. 


A Secretaria Geral da Presidência da República, em nota, lamentou a morte de Ouriques. Na nota, a Secretaria Geral diz que, "ao mesmo tempo em que se solidariza com familiares e amigos, o governo federal reforça o compromisso e a disposição para o diálogo". Apostando na conciliação para tentar o fim dos bloqueios, a nota encerra dizendo que "as propostas anunciadas nesta semana em reunião, em Brasília, entre representantes dos caminhoneiros, empresários e governo são o caminho para a normalização das rodovias".


A Polícia Rodoviária Federal já aplicou mais de 1100 multas aos caminhoneiros que paralisaram as estradas pelo país. Os números têm uma defasagem de pelo menos 24 horas e já podem ter ultrapassado 1200. A vitória considerada estratégica pelo governo de a Justiça de aceitar que as multas da PRF, por obstrução de rodovias, podem ser revertidas em multas judiciais, está sendo considerada definitiva para esvaziar o movimento porque vai doer no bolso do caminhoneiro que está na estrada. A AGU já obteve liminares em todos os Estados do País para a aplicação das multas, que podem chegar a R$ 50 mil por hora, como decidiu uma juíza da Bahia. Na média, essas multas variam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.




Mato Grosso. A Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso (PRF-MT) disse, na manhã deste sábado, que cinco trechos das rodovias federais estão bloqueadas. Segundo o órgão os manifestantes fecharam trechos das BRs, 364, 163 e a 070.  

No estado, os protestos chegam aos 11º dia. Os manifestantes não aceitaram as propostas do governo federal apresentadas na última terça-feira. 

Na sexta-feira, segundo a PRF, foram bloqueados 12 pontos das estradas. Alguns foram desobstruídos durante a madrugada. 

A Justiça Federal no Estado determinou o desbloqueio total das rodovias. Caso a decisão não seja cumprida, pagarão multa de R$ 1 mil por dia. A PRF realizou reunião com os manifestantes explicando o teor da decisão e as consequências no caso do descumprimento. 

Trégua em SP. Caminhoneiros do oeste paulista acertaram uma trégua com a Polícia Rodoviária e não vão bloquear estradas neste fim de semana. As manifestações, no entanto, serão retomadas na segunda-feira. "Nós vamos atender ao pedido da Polícia Rodoviária pra gente não fazer protesto no sábado e no domingo porque eles (Polícia Rodoviária) não têm efetivo suficiente, no fim de semana, para garantir a segurança", afirmou Romildo Fávaro, de 37 anos, motorista de Irapuru. 

Os caminhoneiros voltam a bloquear estradas da região na segunda-feira. "A nossa intenção é ampliar a manifestação ocupando outros trechos das Rodovias Comandante João Ribeiro de Barros, Assis Chateaubriand, Raposo Tavares e Júlio Budiski", completou Fávaro. Ele negou ser um dos líderes dos grevistas: "Só conheço um pouco de logística na estrada e procuro orientar os caminhoneiros", acrescentou.

Para comentar a trégua, a Polícia Rodoviária foi procurada pelo Estado. "Não estou sabendo disso, é um assunto para ser tratado com o comandante só na segunda-feira", resumiu um guarda rodoviário que pediu anonimato.

Por causa da greve dos caminhoneiros, a Ceagesp de Presidente Prudente não tem mais tomate, acelga e repolho. Estoques de pimentão, couve-flor, brócolis e maçã também estão acabando. Nos últimos dias, 17 caminhões chegaram com mercadorias do Sul do País. 

Na madrugada deste sábado, 28, nenhum caminhão descarregou no entreposto. A carga dos 17 caminhões não foi suficiente para regularizar o abastecimento. Cerca de 80% das mercadorias comercializadas na Ceagesp prudentina vêm do Sul do País.

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