Estrangeiras têm atuação tímida na 9ª Rodada da ANP

Numa inversão completa em relação a todas as rodadas anteriores, a Petrobras encontrou no leilão deste ano, realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), forte concorrência entre as empresas nacionais, com destaque para a OGX, companhia controlada pelo grupo do empresário Eike Batista. As grandes companhias internacionais do setor, entretanto, tiveram participação reduzida.A estatal continuou sendo a empresa com maior número de blocos arrematados, 27, num total de 119 concedidos hoje pela reguladora, entre os 271 ofertados na 9ª Rodada. Porém, a companhia perdeu mais disputas em que participou do que ganhou, fato inédito em sua trajetória em leilões da ANP.Destacada pelos diretores da ANP como um fator positivo e indicativo da "maturidade e do processo evolutivo" do setor de petróleo no Brasil, esta participação mais tímida da Petrobras ficou evidenciada nos números do leilão. A companhia entrou com R$ 195 milhões em bônus de assinatura, enquanto a OGX, sozinha, ficou com R$ 1,471 bilhão, de um total de R$ 2,109 bilhões arrecadados pela reguladora.Setor aquecidoSegundo o gerente executivo de Exploração e Produção da estatal, Francisco Nepomuceno, é possível se esperar uma concorrência mais acirrada nos próximos leilões de licitação de área de exploração de petróleo e gás da ANP. Para ele, o resultado recorde arrecadado na 9ª Rodada indica um aquecimento do setor no Brasil.Além de refletir o grande momento do segmento no país, o sucesso da rodada tem correlação, disse ele, com a disparada no preço do petróleo, que beira a casa dos US$ 100 por barril e permite remunerar melhor os investimentos no setor. Os investimentos mínimos previstos a serem feitos na áreas arrematadas hoje são de R$ 6 bilhões, segundo cálculos da ANP.PetrobrasA ausência das grandes petrolíferas internacionais é explicada por Nepomuceno como efeito da saída dos 41 blocos da camada de sal da rodada."Eles iriam participar na disputa pela área de águas profundas de forma muito forte, assim como nós", afirmou o executivo.O gerente destacou que o maior interesse da Petrobras estava nos blocos localizados nas Bacias de Campos e Santos. Como a OGX entrou pesado, com ágios muito elevados, na disputa pelas áreas em Campos, a Petrobras acabou perdendo esses blocos. Além disso, ele informou que um dos principais focos neste leilão estava em áreas de novas fronteiras, como as bacias de Pará-Maranhão, Pernambuco-Paraíba e Parnaíba (onde a empresa ganhou apenas duas das disputas em que participou e perdeu oito). "Pernambuco é o extremo norte da camada de sal. Compramos alguns blocos para saber quais estruturas estão abaixo desta camada de sal", disse ele.Grandes empresasEntre as grandes empresas, apenas a Devon teve uma pequena participação no arremate de duas áreas em parceria com a Petrobras. Ficaram de fora a BG, Shell e Repsol, que haviam estado presentes nas rodadas anteriores não compareceram.

KELLY LIMA E MÔNICA CIARELLI, Agencia Estado

27 de novembro de 2007 | 20h02

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