Paulo Whitaker/Reuters
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Crise política surpreende investidores, que estão cautelosos quanto aos seus desdobramentos; no longo prazo, porém, há otimismo

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 14h41

LONDRES - Investidores interessados no Brasil e em outros países emergentes continuaram hoje a mostrar curiosidade em relação ao País, mas se revelaram temerosos em investir no Brasil por causa das incertezas políticas. Num seminário realizado em Westminster, em Londres, ao qual o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, conseguiu acesso, alguns deles conversaram com a reportagem e a maioria disse que pretende esperar mais um pouco para entrar no País.

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O que chama a atenção de alguns investidores do evento é o fato de, pelas denúncias mais recentes que envolvem o presidente da República, Michel Temer, e o então presidente do PSDB, Aécio Neves, a corrupção ainda ocorrer de forma tão aberta entre os políticos mesmo com o andamento da Operação Lava Jato, que apura o maior esquema de corrupção do País.

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"Hoje em dia, com tantas formas de se fazer registro, é difícil imaginar que os políticos se arrisquem tanto", comentou um investidor que atua em Londres. Ele disse que participou do evento porque começava a ver a possibilidade de ativos do Brasil voltarem a integrar sua carteira, com a perspectiva de retomada da atividade e a possibilidade de aprovação das reformas estruturais do País, mas que o noticiário recente o fez, mais uma vez, tirar o pé do acelerador. 

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Uma das perguntas feitas ao palestrante sobre o Brasil foi sobre o rumo do real. A resposta que recebeu foi a de que, mais importante do que até onde pode ir, é saber que tendência deve permanecer por mais tempo no período seguinte. "Viemos para a apresentação sobre as perspectivas para países emergentes (além do Brasil, Venezuela e Turquia também foram tema de seminário) e houve essa coincidência fantástica de o seminário ter sido em um dia de tantos acontecimentos no Brasil", disse o representante de um fundo de investimentos com sede na Ásia. "Foi bom para nos atualizarmos, mas também para tentar entender o que se passa no Brasil", acrescentou. As perguntas sobre o futuro da Venezuela foram as mais numerosas. 

Um analista que atua na city londrina e que participou do seminário enfatizou que a nova crise política assusta investidores, mas que quem pretende aplicar recursos no Brasil precisa estar sempre focado no longo prazo. "O País passa por crise após crises e sempre mostra recuperação posterior. É preciso ter sangue frio nos momentos como o atual para prospectar um retorno no futuro", avisou. 

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