Estrangeiro que investir em infraestrutura terá garantias

Segundo Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística, novos projetos de portos e aeroportos serão anunciados no mês que vem

Álvaro Campos, da Agência Estado,

24 de agosto de 2012 | 18h38

BRASÍLIA - O presidente da nova estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, afirmou hoje que o governo brasileiro pretende fornecer garantias para investidores estrangeiros para garantir que uma série de grandes projetos de infraestrutura sejam concluídos.

"Nós queremos uma ampla participação de construtoras estrangeiras para garantir um ambiente competitivo", disse Figueiredo em uma entrevista coletiva para jornalistas estrangeiros. A criação da EPL foi anunciada pelo governo este mês, para gerir concessões e parcerias público-privadas para mais de 20 projetos diferentes em todo o País. Além de ferrovias e rodovias, a companhia também vai gerenciar projetos de portos, aeroportos e hidrovias.

Segundo Figueiredo, os novos projetos de portos e aeroportos serão anunciados no mês que vem, incluindo planos para aeroportos de pequeno e médio porte. De acordo com ele, as garantias financeiras para os projetos já anunciados, estimados em R$ 133 bilhões nos próximos 25 anos, serão fornecidas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio do Tesouro Nacional. Os empréstimos serão feito com base na taxa de juros de longo prazo (TJLP), acrescida de 1,5 ponto porcentual.

De acordo com o presidente da EPL, com as garantias o Brasil espera interromper o histórico de atrair um baixo interesse dos investidores estrangeiros nos projetos de infraestrutura. "No passado, o principal obstáculo para atrair o investimento estrangeiro era o 'risco de demanda'. Com o novo plano, se a renda com as operações não cobrir os custos de construção, o governo vai cobri-los", afirmou.

Entre os projetos na lista da nova estatal está o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo Figueiredo, a licitação para a construção da linha vai começar em 2014, com a previsão de que o trem entre em operação em 2020. A fabricação dos vagões para o trem e seu operador, enquanto isso, serão escolhidos em maio do ano que vem.

De acordo com o presidente da EPL, empresas da Alemanha, França, Itália, Coreia do Sul e Japão parecem cumprir as exigências para participar da licitação para escolher o operador do trem de alta velocidade. Já empresas chinesas talvez não possam participar da disputa, devido a exigências maiores de segurança e experiência impostas pelo governo. "Nós queremos operadores testados, que tenham condições de participar", comentou.

Para evitar potenciais atrasos devido a regulamentações ambientais, Figueiredo afirma que a EPL vai buscar um maior envolvimento com as autoridades dessa área durante os estágios de planejamento. As informações são da Dow Jones.

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