Reuters/Paulo Whitaker
Reuters/Paulo Whitaker

Estrangeiro quer ver ações acontecendo no Brasil, diz presidente do Bradesco

Em sua estreia no Fórum Econômico Mundial de Davos, Octavio de Lazari Junior afirmou que ainda existe 'certo ceticismo entre os investidores'

Entrevista com

Octavio de Lazari Júnior, presidente executivo do Bradesco

Célia Froufe, enviada especial

22 de janeiro de 2019 | 19h32

DAVOS - Em sua estreia no Fórum Econômico Mundial de Davos, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, avaliou que o investidor internacional apenas vai considerar como palpáveis as promessas do atual governo depois que conseguir perceber as ações acontecendo no Brasil. Ele falou com o Estadão/Broadcast no Centro de Convenções de Davos após assistir ao discurso do presidente Jair Bolsonaro e participar de evento com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

"Mesmo que viesse qualquer coisa que tanto Guedes como Bolsonaro pudesse falar aqui, não adiantaria, o investidor quer ver ações acontecendo no Brasil. Chegar no Congresso, o Congresso votar, discutir, aprovar... É isso o que o investidor internacional quer", disse. "Existe certo ceticismo entre os investidores, porque é um governo totalmente novo, do que ele será capaz de realizar", continuou.

Lazari também relatou que o ministro detalhou que, na reforma tributária, a intenção é desonerar a produção. "Um exemplo é o dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), para que haja maior produção por parte das empresas e tornar o Brasil um país atrativo para os investimentos internacionais", disse. Veja abaixo a entrevista.

Estadão/Broadcast - O que o senhor achou da participação de Bolsonaro e de Guedes em Davos? 

Lazari - Os eventos foram ótimos. O Paulo Guedes foi muito contundente, está muito convicto não só do que precisa fazer, mas do espaço que há para fazer essas mudanças que precisamos no Brasil. Ele reafirmou que a gente vai fazer a reforma da Previdência, que é uma pauta não mais do governo, mas do povo. Também vai fazer uma reforma tributária, de modo que onere menos a produção, como os Juros sobre Capital Próprio (JCP), para que haja maior produção por parte das empresas e tornar o Brasil um país atrativo para os investimentos internacionais. Foi contundente sobre isso e falou também sobre privatizar várias empresas para deixar governo mais leve. É muito bom ter um ministro da Fazenda com convicção de que esses planos que estão prontos e vão ser submetidos ao Congresso.

Estadão/Broadcast - Mas ele não falou de datas?

Lazari - Não, mas o governo todo tem pressa, e o Paulo (Guedes) tem mais ainda. A lua de mel é curta e o Brasil precisa mostrar aos investidores que está fazendo a lição de casa para colocar o País em outro patamar de interesse por parte dos investidores e pessoas.

Estadão/Broadcast - E sobre o discurso de Bolsonaro? O auditório estava cheio, mas parece que o público não mostrou empolgação ... 

Lazari - Ele falou o que precisava ser falado. É um discurso sereno, tranquilo, de quem está confiante no que ele pode fazer no Brasil. Não dava para esperar qualquer outra coisa, o discurso tinha que ser esse mesmo. Não é momento para questionamentos e discussões. É hora de colocar sobre a mesa a mudança que precisamos fazer no País e a primeira delas é a reforma da Previdência, não tem alternativa.

Estadão/Broadcast - O que se nota entre os investidores estrangeiros é que querem investir no País, mas que ainda aguardam por sinais... Não veio essa resposta aqui em Davos, certo? 

Lazari - Não. Mesmo que viesse qualquer coisa que tanto Guedes como Bolsonaro pudessem falar aqui, não adiantaria. O investidor quer ver ações acontecendo no Brasil. Chegar no Congresso, o Congresso votar, discutir, aprovar... É isso o que o investidor internacional quer. Existe um certo ceticismo entre os investidores, porque é um governo totalmente novo, do que ele será capaz de realizar. Se olharmos o quadro geral, quer seja sobre endividamento externo, inflação ou reservas cambiais. O Brasil está extremamente bem posicionado comparativamente a seus pares no mundo e é um destino para os investidores que, antes, querem ver o próximo passo.

Estadão/Broadcast - A desaceleração da economia global não tira parte do interesse pelo Brasil por causa de uma busca por qualidade? 

Lazari - Essa desaceleração poderá ser favorável para o nosso País porque tem tudo para poder crescer – seja em exportação de minério, de commodoties – e o Brasil em si, olhando apenas o mercado local, está muito aquém de todo o seu potencial. O que a gente entende é que esse impulso nascerá com o próprio mercado local e a vinda dos investidores vem depois, em busca de retornos melhores.

Estadão/Broadcast - É sua estreia em Davos, o que achou? 

Lazari - É meu primeiro ano aqui, fui a várias sessões, estou positivamente impressionado com a qualidade do Fórum e, no fundo, estamos discutindo questões e problemas que a nossa geração vive, mas que certamente as próximas poderão viver. Entra tudo, mas, para o mercado financeiro, financiamos muitas empresas de vários setores. Então, são preocupações que têm que estar no nosso dia-a-dia sob vários aspectos, seja aquecimento global ou preservação da natureza. Somos muito forte no agronegócio e temos que ter preocupação latente. O Brasil não é uma ilha isolada, nenhum país do mundo é.

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