Estrangeiros aplicam menos em papéis brasileiros

Investidores estrangeiros voltaram a reduzir sua participação entre os principais aplicadores em títulos da dívida mobiliária federal

O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2016 | 07h01

Investidores estrangeiros voltaram a reduzir sua participação entre os principais aplicadores em títulos da dívida mobiliária federal - de 14,90% em outubro e 18,79% em dezembro de 2015, atingiu 14,44%, ou R$ 427,6 bilhões, em novembro. É provável que a decisão tenha mais que ver com a perspectiva de alta do juro básico do Federal Reserve (Fed), mas não se pode ignorar a importância de preservar investidores que compram papéis do País por prazos dilatados, contribuindo para estabilizar a economia.

Dadas as características do mercado brasileiro, houve avanços na condução da política do Tesouro para a dívida pública. De uma dívida total de R$ 3,092 trilhões em novembro, a parcela vencível nos próximos 12 meses, de 17,34%, caiu ligeiramente em relação a novembro (17,41%) e é a menor da série do Tesouro.

O custo médio acumulado em 12 meses diminuiu de 16,07% ao ano em dezembro de 2015 para 12,54% ao ano no mês passado. E o Tesouro está atuando mais no mercado com vista a ampliar a liquidez dos papéis. O giro da dívida deverá ser mais fácil em 2017, com vencimentos pouco superiores a R$ 500 bilhões, os menores em três anos. Além disso, cresce a demanda por títulos do Tesouro Direto, destinado a pequenos aplicadores, o que ajuda a criar uma cultura de aplicações de prazo dilatado.

Mas alguns grandes problemas não dependem do Tesouro. O custo da dívida é alto e só cairá na medida da queda da juro básico. O prazo médio da dívida diminuiu de 4,66 anos para 4,60 anos entre outubro e novembro e é pequeno se comparado a grandes emissores globais, em que os prazos de vencimento dos títulos são medidos em décadas. Esses dois obstáculos só serão ultrapassados quando os investidores perceberem o comprometimento das lideranças políticas com políticas macroeconômicas estáveis no longo prazo.

Cabe ao Tesouro mostrar que os papéis têm liquidez, a volatilidade é baixa e as oportunidades para ampliar prazos e atrair investidores serão aproveitadas. O maior problema não é o saldo da dívida, inferior a 50% do PIB, mas o custo e os prazos. A habilidade dos administradores da dívida estará em teste nos próximos meses, com a queda da Selic.

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