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Estrangeiros aplicam US$ 6,6 bi em ações em julho

Lançamento de ações da Visanet atraiu boa parte desse dinheiro

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Investidores estrangeiros despejaram US$ 6,69 bilhões na compra de ações de empresas brasileiras em julho, o maior valor registrado nesse mercado desde dezembro de 2007, informou ontem o Banco Central. Boa parte desse dinheiro veio ao País atraído pelo lançamento das ações da Visanet, a maior operação desse tipo na história do mercado acionário brasileiro. Os estrangeiros compram um total de US$ 2,4 bilhões em papéis da empresa. O resultado do mês passado foi mais que o dobro do registrado no acumulado dos seis primeiros meses de 2009, quando ingressaram US$ 3 bilhões, e ajuda a explicar o movimento de valorização do mercado acionário brasileiro em julho e a queda do dólar ante o real. De janeiro a julho, o Brasil já recebeu US$ 9,78 bilhões em recursos destinados exclusivamente à compra de ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O valor representa um salto de impressionantes 604% na comparação com igual período de 2008, antes da fase aguda da crise. "O Brasil tem sido visto como um porto privilegiado nessa recuperação econômica que começa a ficar mais clara. O fato de o País ter sido um dos primeiros mercados com sinais de recuperação da atividade atrai muitos investidores", afirma a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara. Mesmo sem considerar a grande operação da Visanet, o mês de julho teria apresentado ingresso de US$ 4,25 bilhões para a compra de ações, o que seria o melhor resultado do ano. As ações da empresa começaram a ser negociadas em 29 de junho, mas a liquidação financeira - quando ocorre o pagamento efetivo - aconteceu nos primeiros dias de julho. Aos estrangeiros, chamam a atenção ações de companhias voltadas ao mercado doméstico, como o varejo e serviços como eletricidade e logística. Thaís Zara destaca que o aumento do interesse estrangeiro pelas ações é acompanhado por uma queda da atratividade da renda fixa, sobretudo os papéis da dívida federal. A economista explica que, aos olhos do estrangeiro, a queda da taxa de juros no Brasil diminuiu a vantagem para a aplicação. "O investidor que estava na renda fixa até o estouro da crise saiu do Brasil no fim do ano passado. Agora, volta ao País só que, principalmente, no mercado acionário."Segundo o BC, US$ 921 milhões foram atraídos em julho para o investimento em renda fixa. O valor é 78% menor que o observado em igual mês do ano passado.No acumulado dos sete primeiros meses de 2009, o ingresso de dólares para a compra desse tipo de papel somou US$ 2 bilhões, com queda de 86% na comparação com igual período de 2008. "O diferencial de juros (com o exterior) é menor se comparado com o ano passado. Além disso, como houve uma queda muito grande no preço das ações, o estrangeiro que retorna ao Brasil tem avaliado esse mercado como uma boa oportunidade", diz Thaís. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, informou que a mesma tendência é observada em agosto. No acumulado do mês até ontem, US$ 2,84 bilhões ingressaram para a compra de papéis da Bovespa. Já as aplicações para renda fixa estão em patamar inferior, de US$ 584 milhões no mesmo período.

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