Estrangeiros controlam as quatro maiores redes

Com o Casino assumindo o Pão de Açúcar, lista dos maiores supermercados do país fica dominada por grupos de fora

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h09

A transferência do controle do Grupo Pão de Açúcar para o grupo francês Casino, iniciada ontem, coincide com o primeiro aniversário da tentativa frustrada de Abilio Diniz de fundir sua companhia com o também francês Carrefour. Para garantir "maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional", a operação teria apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Diante da reação veemente do Casino, a operação não foi adiante e o BNDES desistiu de investir até 2 bilhões - ou R$ 4,5 bilhões à época. O BTG Pactual também participaria da operação. Agora, os quatro principais grupos de supermercados do Brasil estão nas mãos de estrangeiros. Além do Pão de Açúcar, o Carrefour, o americano Walmart (maior do mundo) e o chileno Cencosud, dono do GBarbosa, fundado em Sergipe.

Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a participação de estrangeiros não ameaça o setor. O investimento externo é bem-vindo e pode trazer ao País novas tecnologias, sobretudo na gestão de estoques. "Traz ganhos também ao consumidor, que pode ter acesso a produtos mais competitivos", afirmou Freitas, referindo-se à importação de produtos pelas redes.

O apoio à operação frustrada de Abilio se daria por participação acionária, via BNDESPar, a empresa de participações do banco. Seria o primeiro investimento da instituição no setor varejista. O uso de dinheiro público na fusão foi alvo de críticas.

Por causa da reação do Casino, o BNDES chegou a divulgar nota para reforçar que seu apoio se daria apenas "na premissa do entendimento amigável entre todos os atores privados". Nas operações de financiamento, os desembolsos do banco de fomento ao comércio têm crescido acima da média desde 2009.

No ano passado, as empresas do setor receberam 8,14% mais em financiamento do que em 2010, enquanto o desembolso total caiu 17,5%. De janeiro a abril, o avanço foi de 12,2% ante igual período de 2011 - o total cresceu 1,5%. A participação do setor passou de 3,5% do total de desembolsos, em 2008, para 10,19%, de janeiro a abril deste ano.

De acordo com o BNDES, o crescimento do Cartão BNDES e do Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), criado como resposta à crise, em 2009, explica o aumento. Pelo Cartão BNDES, o banco desembolsou R$ 7,5 bilhões em 2011, 76% acima de 2010. A previsão para este ano é chegar a R$ 11 bilhões.

Segundo Freitas, da CNC, o Cartão BNDES é muito usado pelo comércio e facilita o acesso a capital de giro com custo menor. Somente entre mercados, hipermercados e supermercados, porém, os desembolsos foram de R$ 562,8 milhões em 2011, queda de 14% ante 2010, quando recebeu R$ 654,3 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.