Estrangeiros investem US$ 33,6 bi em ações do Brasil no ano

Ingresso de investimentos estrangeiros diretos no período atingiu US$ 20,8 bilhão, segundo o Banco Central

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2009 | 10h52

Investidores estrangeiros aplicaram US$ 1,604 bilhão no Brasil em novembro. Segundo informou o Banco Central, o ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED) no País superou o resultado de outubro, quando o fluxo de IED para o Brasil foi de US$ 1,563 bilhão. Em 12 meses acumulados até novembro de 2009, o ingresso é de US$ 28,973 bilhões, o equivalente a 1,90% do Produto Interno Bruto (PIB).

 

No acumulado do ano até novembro, informou o BC, o ingresso de investimentos estrangeiros totalizou US$ 20,858 bilhões, valor menor do que o de igual período do ano passado, quando o fluxo foi de US$ 36,943 bilhões, ou US$ 16 bilhões a mais.

 

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O investimento estrangeiro em ações no Brasil já soma, no ano, até novembro, US$ 33,620 bilhões, o que mostra a forte atratividade da bolsa de valores brasileira para o mercado internacional. No ano passado, no auge da crise financeira internacional, o cenário era de saída das aplicações estrangeiras da bolsa brasileira. De janeiro a novembro de 2008, saíram US$ 6,654 bilhões.

 

Os investimentos estrangeiros em renda fixa, de janeiro a novembro de 2009, somam US$ 9,450 bilhões. Em novembro, os investimentos estrangeiros em renda fixa totalizaram US$ 1,354 bilhão e em ações, US$ 1,905 bilhão.

 

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, previu que o ingresso de investimentos estrangeiros para ações e aplicações em renda fixa no País deverá fechar o ano em US$ 46,5 bilhões. Se confirmada essa estimativa o valor será recorde para toda a série histórica iniciada em 1947. Para 2010, Altamir Lopes prevê ingresso em ações e renda fixa no País de US$ 25 bilhões. 

 

Empresas

 

As remessas de lucros e dividendos por empresas instaladas no Brasil para o exterior somaram em novembro US$ 2,012 bilhões. No acumulado do ano, as remessas subiram para US$ 19,920 bilhões.

 

Apesar de elevadas, as remessas estão menores do que as do ano passado, quando somaram, até novembro US$ 30,729 bilhões. As despesas com juros somaram, em novembro, US$ 378 milhões, e no ano, até novembro, US$ 7,863 bilhões.

 

A venda da empresa de energia Terna para a Cemig provocou, em novembro, um retorno de investimento estrangeiro direto de US$ 1,1 bilhão para o exterior. A empresa, que atua em 11 Estados no Brasil, tinha capital italiano.

 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que, se não fosse esse retorno de investimentos, o ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) em novembro teria subido para US$ 2,7 bilhões.

 

Altamir Lopes destacou que o perfil do ingresso de IED em dezembro mostra uma disseminação para vários setores. Até o dia 17, o fluxo de IED está em US$ 3,1 bilhões. Lopes destacou que entre os setores estão metalurgia, química, extração de petróleo e gás, varejo e atacado. De acordo com Lopes, a tendência é que o fluxo de investimentos para esses setores tende a permanecer em 2010. "É muito bom essa disseminação, porque saímos dessa concentração que tínhamos de investimentos para o setor automotivo e financeiro", disse Lopes.

 

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, um levantamento preliminar mostra que a remessa de lucros e dividendos realizada por companhias multinacionais instaladas no Brasil soma US$ 2,147 bilhões em dezembro até esta quinta-feira, 17. 

 

Nesse mesmo período, o gasto com pagamento de juros em dívidas contraídas no exterior soma US$ 699 milhões. Altamir também informou que a receita obtida com juros dos dólares das reservas internacionais atingiu US$ 150 milhões nos 17 primeiros dias de dezembro.

 

Conta corrente

 

A conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior apresentou em novembro um déficit de US$ 3,289 bilhões. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central o déficit em transações correntes subiu no ano, até novembro, para US$ 18,077 bilhões, o correspondente a 1,29% do PIB.

 

O resultado no ano é inferior ao déficit registrado no mesmo período do ano passado de US$ 25,073 bilhões. O déficit de novembro, no entanto, é três vezes superior ao resultado negativo do mesmo mês do ano passado, quando a conta de transações correntes apresentou um déficit de US$ 951 milhões. Em 12 meses até novembro, o déficit em transações correntes subiu para US$ 21,195 bilhões, o equivalente a 1,39% do PIB. 

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