Estrangeiros no Brasil enviaram ao exterior quase US$ 1 bi em 2013

Valor é seis vezes maior que há dez anos; número de trabalhadores que receberam autorização de trabalho cresceu 30%

Eduardo Cucolo, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 02h06

BRASÍLIA - O número de estrangeiros que receberam autorização para trabalhar no Brasil cresceu cerca de 30% nos últimos cinco anos e, junto com esse movimento, aumentou a remessa de dinheiro a familiares no exterior. No ano passado, houve um envio recorde de US$ 937 milhões do País para outras economias por meio de uma conta conhecida como manutenção de residentes.

O valor é seis vezes maior que o verificado dez anos antes, segundo dados do Banco Central. Em 2013, para cada US$ 2 enviados ao País por brasileiros, havia US$ 1 remetido ao exterior por estrangeiros que moram aqui. Essa relação era de US$ 15 para um em 2003.

Esse movimento, no entanto, perdeu força nos últimos três anos, período em que a economia brasileira desacelerou e a alta do dólar afetou as remessas. Entre 2005 e 2010, com o forte crescimento econômico nacional e a valorização do real, o envio de dinheiro ao exterior por trabalhadores estrangeiros no País cresceu, em média, 33% ao ano. A partir de 2011, quando o Brasil viu sua economia desacelerar e a moeda se desvalorizar (os reais a serem remetidos passaram a valer menos dólares), a taxa anual de crescimento caiu para 3%.

Entre os estrangeiros que estão regularmente no Brasil, os grupos que mais receberam autorização de trabalho desde 2008 foram portugueses, japoneses e coreanos, segundo o Ministério do Trabalho. Em sua maioria, são estrangeiros com curso superior que vão trabalhar em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará ou Bahia, destinos preferidos pelos imigrantes. A estatística não inclui imigrantes que trabalham sem registro, outro grupo que também cresceu.

Em Brasília, por exemplo, houve forte crescimento das colônias árabe e chinesa. O chinês Liu Yiram, por exemplo, chegou ao País em 2006, tendo passado por São Paulo e Curitiba antes de se fixar na capital federal, onde trabalha na Feira dos Importados, um dos maiores centros comerciais da cidade.

Salários. O comerciante diz gostar do Brasil, mas pensa em ir para a Europa, onde tem parentes que estão numa situação financeira melhor que a dele, apesar da estagnação econômica em grande parte do continente. "Eu queria ir para a Europa, mas ainda não consegui", afirmou. "Os salários lá são mais altos do que aqui no Brasil, mas é mais difícil conseguir o visto para trabalhar."

Outro grupo de trabalhadores que cresceu nos últimos dois anos foi o de haitianos. Segundo o presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio Almeida, no fim do ano passado houve a regularização de vários haitianos e outros estrangeiros que estavam irregulares. "Aquelas pessoas que estavam há mais de seis meses no Brasil e comprovaram vínculo, especialmente de trabalho, puderam obter o registro."

Almeida destaca ainda que houve simplificação de normas que facilitaram a entrada de estrangeiros. Prestadores de serviços temporários, por exemplo, não precisam mais de autorização, pois a análise passou a ser feita diretamente pelos consulados brasileiros no exterior.

Segundo Almeida, ainda há necessidade de alterações na legislação para acabar com outros entraves. Estudantes estrangeiros, por exemplo, ainda são obrigados a deixar o Brasil e solicitar visto de trabalho no exterior, pois não existe possibilidade de mudança na categoria do visto sem saída do País.

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