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Estrangeiros pagarão tarifas aéreas mais caras na Argentina

A empresa aérea Aerolíneas Argentinas - que controla 90% dos vôos internos do país - decidiu aplicar um significativo aumento nas tarifas áreas para clientes estrangeiros que realizem vôos dentro da Argentina. O valor das passagens para aqueles que mostrarem um passaporte, será 70% superior ao pago pelos nativos. A empresa, controlada por capitais espanhóis, alega que desde a desvalorização da moeda, em janeiro de 2002, os turistas provenientes do exterior pagam preços mais caros em outros serviços na Argentina, como hotéis.Há duas semanas, a Aerolíneas ameaçou aplicar uma alta de 170% nos preços das passagens para estrangeiros. Mas a imediata reação negativa das agências de turismo, reunidas na associação AviaBue, fez que a empresa voltasse atrás, e definisse um aumento, que embora alto, é menor que o inicialmente planejado.As agências de turismo estão em pânico, pois consideram que o fluxo de turistas estrangeiros - que no ano passado foi de 3,8 milhões de pessoas - despencará, marcando um retrocesso no setor, que nos últimos tempos ultrapassou em divisas as tradicionais áreas da carne e cereais (o turismo de estrangeiros proporcionou em 2005 US$ 3,25 bilhões). Segundo as agências, o aumento da tarifa "matará" o turismo, que está em pujante crescimento desde a crise financeira, social e econômica de 2001-2002.A Aerolíneas e a AviaBue continuariam negociando a possibilidade de estabelecer um preço intermediário para os turistas estrangeiros dos países do Mercosul e do resto da região.Até esta segunda-feira, a Aerolíneas Argentinas era a única empresa decidida a aplicar o aumento. As outras duas empresas que realizam vôos internos, a Lan Argentina (pertencente à Lan Chile) e a Andes Linhas Aéreas, manteriam as mesmas tarifas para nativos e estrangeiros.CombustíveisOs estrangeiros que entram na Argentina por via terrestre também estão sendo afetados por medidas que implicam em alta de preços. Neste caso, os motoristas que dirijam carros com placas estrangeiras, deverão pagar o combustível a preços similares a seus países de origem. Desta forma, acaba a vantagem que possuíam consumidores brasileiros, uruguaios, argentinos e chilenos de encher o tanque de seus carros com combustível mais barato (em média, a metade do preço) nos postos de gasolina na Argentina.A medida é aplicada à venda de diesel nos postos das áreas de fronteira desde o início do mês. Mas, a partir dos primeiros dias de setembro, a medida também afetará o preço da gasolina.Segundo o Secretário de Energia, Daniel Cameron, a medida do governo do presidente Néstor Kirchner pretende estabelecer uma "simetria" com os países vizinhos, de forma a equiparar os preços dos dois lados da fronteira, e assim, evitar eventuais crises de escassez do combustível para os consumidores argentinos. Cameron sustenta que o governo registrou um "crescimento descontrolado nas vendas de combustíveis nos postos de gasolina na área da fronteira em relação à média existente nos estabelecimentos da maior parte da Argentina".

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