Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Estratégia de comunicação da reforma da Previdência terá site e call center

Ideia é que após o carnaval já exista central de informações para tirar dúvidas e um site para fazer a simulação das novas opções de aposentadoria

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 15h51

RIO - O secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, alertou que a divulgação da reforma da Previdência é de extrema importância e como é um assunto complexo terá que ser bastante debatida com a população. Ele não quis comentar sobre a atuação do governo Bolsonaro nas redes sociais para divulgar a proposta, mas afirmou que depois do carnaval já deverá estar funcionando um call center para tirar dúvidas e um site para fazer a simulação das novas opções de aposentadoria.

"Não é um tema fácil de se explicar, muitas regras de transição. Nossa estratégia será um site com simulações para benefícios e aposentadoria com as especificidades de cada cidadão, e um call center que será disponibilizado depois do carnaval", informou após participar do evento "E agora, Brasil?", promovido pelo grupo Globo.

O presidente Jair Bolsonaro apoiou sua campanha nas redes sociais e, mesmo depois de vencida a eleição, continuou utilizando o meio para divulgar suas ações. A possibilidade de usar as redes sociais não foi descartada por Marinho, que evitou comentar especificamente o tema.

Perguntado sobre também se seria possível a volta do sistema "toma lá, dá cá", para aprovação da reforma, onde o governo concede cargos ou outros benefícios para os partidos para conseguir aprovar projetos, Marinho foi mais enfático. "Esse governo mostra disruptura com o status quo da política brasileira. Esse é um governo que quando foi formado não levou em consideração partidos políticos. O presidente Bolsonaro está inovando o processo político, o problema é que tem reações, quem está acostumado com a situação se ressente, mas haverá acomodação natural, e isso será customizado", afirmou.

Conversa com parlamentares 

O secretário especial está otimista com a votação da reforma da Previdência pelo "novo Congresso", referindo-se à renovação sofrida pelo Congresso Nacional este ano. Ele disse que o seu papel depois de ter finalizado o texto é conversar com esses parlamentares, "até porque conheço eles individualmente, estava lá há 20 dias".

Ele ressaltou, no entanto, que o papel de articulação política para garantir a aprovação é dos líderes do governo, apesar de reconhecer que tem um bom trânsito no parlamento após três mandatos como deputado, o que facilita as conversas, na opinião do secretário. Para ele, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, será fundamental nessa negociação e tem ajudado bastante o governo.

"O Congresso deverá aperfeiçoar, mas o projeto que o governo defende é o que ele mandou", disse, evitando comentar sobre possíveis flexibilizações no texto. "O projeto apresentado é o projeto que a equipe econômica acha necessária para recuperar a conta pública, por isso, aguardamos o início da discussão na CCJ e no plenário para que tudo seja transparente", completou.

Ele afirmou que, como era esperado e sempre acontece, associações e corporações tentam defender seus interesses, mas espera que isso seja feito de forma clara e em voz alta. Na hora em que alguma categoria for tratada de forma diferenciada haverá impacto na capacidade e investimento na saúde, na educação, afirma. Tudo bem as corporações tentarem, mas tem que ser feito em voz alta, disse.

Segundo Marinho, as corporações têm "gritado" sobre o impacto nos casos mais polêmicos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural, mas em voz baixa pedem mudanças para privilegiar categorias.

"Eles falam publicamente que estão preocupados com o velhinho do BPC, isso é o que está ocorrendo nas corporações, mas depois falam baixo para tentar mudar (alguma regra)", explicou.

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