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Estréia do Homem-Aranha movimenta setor de licenciamento

A esperada estréia do filme Homem-Aranha, que chega às salas de cinema nesta sexta-feira, promete mais do que o burburinho ao redor da produção rodada em Nova York. O personagem da Marvel Comics, criado na década de 60 pelo roteirista de histórias em quadrinhos Stan Lee, tem uma legião de fãs garantida no País - que, além de comprar um ingresso para o filme da Columbia Pictures, não vai resistir à tentação de colecionar produtos licenciados do super-herói.A empresa Exim, responsável pelo licenciamento da marca Spiderman, calcula que o varejo de artigos do Homem-Aranha venha a faturar inicialmente cerca de R$ 10 milhões neste ano, valor que pode subir, caso o filme tenha o mesmo êxito alcançado nos Estados Unidos, onde o primeiro final de semana de exibição rendeu bilheteria de US$ 114 milhões.A empresa de material escolar Foroni, de São Paulo, nem esperou pela estréia do filme para testar o prestígio do personagem. Desde outubro, os cadernos com o super-herói nas capas estão nas principais papelarias. "Foi um grande sucesso", conta a gerente de marketing da Foroni, Marici Campanella. "Sem o apoio da mídia, os produtos do Homem-Aranha representaram 23% das nossas vendas entre as linhas de artigos licenciados", comenta Marici, que vai repetir a dose do personagem na linha de volta às aulas para 2003. A Foroni tem sete linhas licenciadas, incluindo o personagem Smile, galãs da rede Globo e o desenho Pica-Pau. FigurinhasA expectativa da Exim é licenciar o personagem da Marvel para 20 empresas. À véspera da estréia, já conta com onze fabricantes licenciados, entre eles a Foroni, a brinquedos Gulliver, a Bandeirantes, de bicicletas e triciclos, a Inajá, de artigos para festas, e a Cory, de biscoitos. Esta última vai colocar no mercado pacotes de biscoitos com figurinhas e tatuagens do herói. Também não faltarão os produtores de figurinhas, quadrinhos e fantasias.À medida que o filme alcance sucesso e projeção na mídia, a Exim espera fechar novas parcerias. A expectativa de faturamento, por enquanto, mostra que a empresa aposta que o super-herói ainda é cult, com maior influência entre adolescentes e adultos, saudosos dos quadrinhos Marvel. Teria então menos apelo do que o Pokemon, por exemplo, que chegou a faturar US$ 200 milhões em produtos licenciados no Brasil ao longo de um ano e meio, celebrado pelas crianças de todo o mundo.Mas, se o êxito da exibição do Homem-Aranha no Brasil for parecido com o obtido nos Estados Unidos, pode ser que o retorno seja ainda maior.Um detalhe mórbido do filme mexeu com os americanos. As torres gêmeas de Nova York, destroçadas no ano passado pelo atentado de 11 de setembro, eram escaladas pelo personagem na versão original do filme. Depois da tragédia, a cena foi retirada. MovimentoNo Brasil, o licenciamento ganhou maturidade nos últimos anos. No ano passado, as 43 firmas de representação dos mais diversos personagens licenciaram suas marcas para quase 700 fabricantes, que faturaram R$ 2,4 bilhões com os artigos colocados nos pontos-de-venda. A cifra é 10% superior à de 2000.A utilização desses notáveis requer a cobrança de royalties, que variam de 2% a 10%, segundo o presidente da Associação Brasileira de Licenciamento (Abral), Sebastião Bonfá. No caso do herói aracnídeo, o valor cobrado dos fabricantes é de 10%.O mercado dá sinais de que está em pleno vigor até para a retomada de alguns personagens. O desenhista Daniel Azulay, por exemplo, que fez sucesso na década de 80 com a Turma do Lambe-lambe (Xicória, Professor Pirajá etc.) na rede Bandeirantes, promete voltar a estimular a imaginação infantil via licenciamento. Na ala internacional, um desenho infantil japonês, o hamster Hamtaro, promete invadir as lojas brasileiras. No Japão, ele vendeu o equivalente a US$ 3 bilhões desde 1999 em produtos licenciados, informa o diretor da Imagine Action Dalicença, Walter Nogueira, que representa o Hamtaro o Brasil.Leia mais sobre Comércio e Serviços no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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