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Estrela vai deixar a Bovespa após mais de uma década em crise

Com ações no mercado há quase 70 anos, fabricante de brinquedos tem papéis negociados na faixa dos R$ 0,40 e pretende cancelar registro de companhia aberta

Beth Moreira, Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 15h51

Há mais de dez anos em crise financeira, a fabricante de brinquedos Estrela resolveu fazer uma oferta para sair da BM&FBovespa. O presidente da empresa, Carlos Antonio Tilkian, disse que a Estrela fará uma operação para comprar as ações da companhia no mercado e cancelar o registro da empresa junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de ações no Brasil. Assim, a empresa deixará de ter ações negociadas na Bolsa. 

A operação, conhecida no mercado financeiro como Oferta Pública de Aquisição (OPA), foi comunicada à CVM nesta quarta-feira, 16. O preço é de R$ 0,37 por ação para todos os papéis que se encontram em circulação no mercado, no total de 284.955 ações ordinárias (com direito a voto em assembleia de acionistas) e 10.777.705 ações preferenciais (que dão prioridade a dividendos). Considerando o valor citado, a operação deve movimentar R$ 4,093 milhões.

No comunicado, a empresa informa ainda que o valor será pago à vista, atualizado pela taxa Selic de hoje (14,25% ao ano) até a data da liquidação financeira. "Esta OPA será encaminhada para análise da CVM, visando o cancelamento de registro como companhia aberta", diz o informe.

Mercado. A Estrela, que já foi líder no segmento de brinquedos, luta há mais de uma década para se recuperar de uma série de prejuízos. A empresa perdeu mercado ainda nos anos 1990 para produtos importados mais baratos, principalmente chineses, e teve que reduzir suas operações no País.

Somente no primeiro semestre deste ano, o prejuízo registrado pela empresa foi de R$ 23,8 milhões, uma melhora em relação aos R$ 35 milhões vistos em igual período do ano anterior.

A fabricante de brinquedos tem ações negociadas no mercado brasileiro há quase 70 anos. Com baixa liquidez, os papéis estão cotados na faixa dos R$ 0,40. O valor de mercado da companhia (a soma dos preços de todas as ações em circulação) hoje está em R$ 5,8 milhões, mas teve vários momentos de altos e baixos nos últimos cinco anos: o valor mais alto, R$ 18,4 milhões, foi registado em abril de 2010; o mais baixo, R$ 3 milhões, foi visto entre março e abril do ano passado. Os dados são da consultoria Economática.

Em agosto, uma nova regra da BM&FBovespa passou a valer para as cerca de 70 empresas em situação semelhante: caso uma ação seja negociada abaixo do patamar de R$ 1 durante mais de 30 dias, as companhias devem tomar medidas para impedir que isso aconteça. Uma das soluções mais comuns é o grupamento de ações - união dos papéis para que a sua soma alcance o preço mínimo. 

Entretanto, no caso da Estrela, fechar o capital pode ser a alternativa encontrada para resolver a pendência, diz o analista da Guide Investimentos, Rafael Ohmachi. 

A última vez em que as ações da Estrela foram cotadas na faixa de R$ 1 foi em janeiro de 2011. Em julho daquele ano, o registro da companhia chegou a ser cancelado na CVM e as negociações dos papéis foram suspensas, uma penalidade pelo fato de a companhia não ter divulgado o balanço do primeiro trimestre de 2011 em tempo hábil, além de informações referentes ao ano de 2010. As negociações foram retomadas ainda naquele mês, com o papel cotado na casa dos R$ 0,80.

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