Estresse não tem fim e bolsas guardam decisões do G-7

Dow Jones, que ontem derreteu mais de 7%, chegou a ceder 8% minutos depois da abertura dos negócios

Marcílio Souza e Sueli Campo, da Agência Estado,

10 de outubro de 2008 | 15h48

O grande nervosismo entre os investidores e uma batelada de notícias de empresas e bancos provocaram forte volatilidade nos principais índices de ações de Wall Street nesta manhã de sexta-feira. O Dow Jones, por exemplo, que ontem derreteu mais de 7%, chegou a ceder 8% por um breve momento, minutos depois da abertura dos negócios. Perto das 11h, tocou o território positivo, para então voltar a firmar-se no vermelho no início da tarde. De modo geral, a aversão ao risco e movimentos de manada continuam fortes, bem como o medo da recessão e a desconfiança sobre se - e até que ponto - as autoridades políticas conseguirão reverter a situação.   Veja também: Bolsas derretem no mundo todo; Bovespa cai mais de 7% Bush receberá ministros do G7 na Casa Branca Como o mundo reage à crise  Reino Unido congela ativos do banco islandês Landsbanki FMI age para garantir crédito a emergentes Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    É nesse ambiente que cresce a expectativa de que a reunião do grupo dos sete países mais industrializados do mundo, o G-7, que começa hoje à tarde em Washington, possa trazer mais medidas concretas contra a crise financeira, além das várias que já foram anunciadas ao longo destas últimas semanas. Às 19h45 (de Brasília), o secretário do Tesouro, Henry Paulson, dará entrevista coletiva. O encontro do G-7 continua amanhã, quando também se reúnem o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial (Bird).   Um dos assuntos a serem discutidos na reunião do G-7, de acordo com o Wall Street Journal, é a proposta do governo britânico de garantir até 250 bilhões de libras (US$ 432 bilhões) em dívida bancária que vencerá num prazo de até 36 meses. O jornal fala na possibilidade de que os EUA também adotem essa medida. Outra possibilidade aventada é a de que o governo norte-americano passe a garantir, ao menos temporariamente, todos os depósitos bancários no país, na tentativa de injetar pelo menos um pouco de confiança num sistema que tanto carece dela.   Embora os EUA tenham tentado não alimentar expectativas de que um plano de socorro do G-7 será revelado neste fim de semana, o próprio presidente do país, George W. Bush, já veio a público hoje para anunciar que seu governo possui as ferramentas necessárias para restaurar a ordem nos mercados financeiros e resolver a crise econômica.   Nova York   Sem nada de concreto por enquanto nesse front, o mercado opera fortemente influenciado por notícias de empresas e bancos, e novamente o desempenho do setor financeiro puxa todo o resto. Um dos principais destaques do dia é o Morgan Stanley, que despencava 40% pouco antes das 14h, para US$ 4,98.   Na contramão, Wachovia subia 29%, após o Citigroup ter afirmado que desistiu de comprar suas operações bancárias, abrindo espaço para que o Wells Fargo assuma todo o banco. Citi subia 1,47% e Wells Fargo recuava 0,6%. Outro destaque do setor financeiro foi o Lehman Brothers. Os resultados iniciais da liquidação dos contratos de proteção contra o risco de calote de crédito (CDS, credit default swaps) do banco ficaram abaixo das expectativas.   General Electric subia 0,37%, depois de anunciar nesta manhã queda de 22% de seu lucro líquido. Embora o resultado tenha ficado em linha com as estimativas de analistas e da própria companhia, a GE destacou que seu volumoso braço financeiro vem sendo prejudicado pela crise. General Motors ganhava mais de 7%, depois de ontem ter fechado no menor patamar desde 1950.   A problemática montadora norte-americana reiterou hoje que não estuda pedir concordata, negando rumores que circulam no mercado. O desempenho da GM ajudou a tirar os índices de ações de Wall Street de suas mínimas. A recuperação de alguns papéis do setor financeiro, como Bank of America (+4%) e JPMorgan (+6%) também contribuiu para isso.   Às 15h55, Dow Jones caía 5,57%, Nasdaq recuava 5,37% e S&P 500, 6,52%. As principais bolsas européias fecharam em baixa acentuada, todas superiores a 7%, depois de terem chegado a registrar perdas maiores que 11% no momento mais nervoso da manhã.   Bovespa   A Bovespa voltou a desmoronar, com direito a circuit breaker pela segunda vez nesta semana, contaminada por mais uma onda global de aversão ao risco. Logo aos 34 minutos de pregão, a BM&FBovespa teve de paralisar os negócios por 30 minutos para conter a queda do índice, que bateu a mínima de 33.238 pontos, queda de 10,36%. O Ibovespa retrocedeu esta manhã aos níveis de preços registrados no final de 2005, deixando os investidores em estado de choque, sem saber como precificar os ativos. A aversão ao risco é tamanha que o mercado perdeu a referência de preços.   A Bolsa voltou a funcionar às 11h05, com queda um pouco menor, ao redor de 6%, influenciada pela redução das perdas no exterior e se mantinha no negativo no início da tarde. No momento em que o mercado brasileiro entrou em circuit breaker, as bolsas nos EUA estavam em queda livre. Um mercado foi derrubando o outro, como um castelo de cartas.   Às 15h45, o Ibovespa estendia a perda para 8,70%, com apenas uma ação no positivo: Rossi Residencial +2,57%. Com mais essa perda de hoje, a Bovespa agora contabiliza perda de 31% no mês e de quase 47% no ano. Se a Bovespa piorar e a desvalorização atingir os 15%, o circuit breaker volta a ser acionado com paralisação dos negócios por uma hora.

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