WERTHER SANTANA / ESTADÃO
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Estudantes de medicina ficam sem verba do Fies

De uma sala de 125 alunos, só 16 conseguiram o financiamento federal; novas inscrições foram cortadas em quase 50%

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 16h00

Foram três anos de cursinho e muito esforço para que Vivian Borba, de 21 anos, finalmente alcançasse o seu sonho: cursar medicina. A euforia veio acompanhada de um receio, pelo fato de ter passado em uma faculdade particular, mas já havia um esteio certo: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

“Minha prima faz medicina e tem o Fies há cinco anos, então a família já conhecia bem o programa”, diz. Pelo Fies, o governo federal repassa às escolas o valor da mensalidade e o aluno restitui o montante depois de formado, com a dívida reajustada a juros mais baixos que os praticados no mercado.


Depois de mais de dois meses de tentativas, porém, Vivian ficou sem o financiamento. “Eu entrava no site todos os dias, virava noites tentando, mas não conseguia finalizar. Dava erro e dizia que não havia mais vagas, embora a faculdade dissesse que havia e era problema operacional”, conta. “O prazo estava acabando e começamos a ficar desesperados.” A frustração não foi só dela. De uma sala de 125 alunos, apenas 16 conseguiram o financiamento. “Na turma dos meus veteranos, metade tem Fies. Quem precisava sempre conseguiu.”

Em 2015, o programa foi atingido pelo ajuste fiscal. Até o dia 30 de abril, quando o prazo foi encerrado, foram aprovados 252 mil contratos. No primeiro semestre do ano passado, no entanto, foram fechados por volta de 480 mil. “A mensalidade é de R$ 4.370. Minha família é grande, tenho uma irmã que faz faculdade em outra cidade; não temos condição nenhuma de pagar isso, quase ninguém tem. Tenho um amigo que está com os pais desempregados”, diz.

As portas fechadas levaram Vivian e outros colegas, como Carolina Doering e Thainá Altarejo, a consultar um advogado, que os aconselhou a entrar com uma liminar na Justiça. Por ora, segundo ela, a universidade está isentando alguns alunos da mensalidade até que a situação se resolva. Porém, de acordo com o Ministério da Educação, uma nova edição do programa no segundo semestre ainda não é certa. 

“A faculdade tem falado com a prefeitura e outras fontes privadas para tentar outras parcerias de financiamento”, diz ela. “O País está precisando de médicos, de profissionais, e o governo não está priorizando isso.”

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