Estudantes vão às ruas em várias cidades francesas

Manifestações organizadas principalmente por alunos do ensino superior ocorrem às vésperas de período de férias de 2 semanas

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

PARIS

Estudantes franceses provaram ontem sua autonomia em relação aos sindicatos. Em manifestações convocadas pela União Nacional de Estudantes Secundaristas (UNL) e pela União Nacional de Estudantes da França (UNEF), milhares de jovens colegiais e universitários saíram às ruas em Paris, Lyon, Tours, Bordeaux, Toulouse, Montpellier, Lille e Nantes às vésperas de duas semanas de férias, que podem esfriar o movimento.

A novidade foi a mobilização crescente dos estudantes do ensino superior, que aderiram ao movimento. Com exceção de Lyon, os protestos foram pacíficos. Em Paris, o cortejo ocorreu à tarde, até se concentrar na Praça Denfert-Rochereau.

Com faixas, bandeiras, gritos de ordem e clima descontraído, sem confrontos, os jovens demonstravam preocupação com a reforma da aposentadoria. "Eu ainda acredito na retirada desse projeto, por isso estou aqui", disse Pauline L., 19 anos, estudante de medicina. Para ela, "se Sarkozy não retirar o projeto, será a revolução, será Maio de 1968".

Apesar da onda de protestos estudantis, ontem só houve confrontos com a polícia em Lyon. Indignado com imagens de vandalismo registradas pelos próprios jovens nos três primeiros dias de depredações, o presidente Nicolas Sarkozy se mostrou disposto a punir os responsáveis. "As imagens que vi em Lyon são escandalosas. Mas não serão os vândalos que darão a última palavra em uma democracia, em uma república", julgou o chefe de Estado. "Não é aceitável. Eles serão identificados, presos e punidos em Lyon e outros lugares."

A firmeza do governo e da polícia já surte efeito. Em Nanterre, um jovem de 18 anos foi condenado ontem pelo Tribunal Correcional a dois meses de prisão em regime fechado por ter depredado um centro comercial durante os protestos de terça-feira.

Combustíveis. Em outro segmento da greve, a dos distribuidores de combustíveis, o bloqueio começou a regredir, mas não no ritmo esperado pelo governo. Ontem, dos 12,3 mil postos do país, 2,7 mil ainda enfrentavam falta de gasolina ou diesel, menos do que os 3,1 mil de quarta-feira. Segundo o ministro do Interior, Brice Hortefeux, a tendência é de melhora. "Ao todo, 75% dos postos estão totalmente ou parcialmente supridos".

Mas a lentidão da retomada preocupa a Federação Nacional dos Transportadores Rodoviários (FNTR), que pediu acesso prioritário aos estoques de combustíveis sob pena de ver interrompido o tráfego de cargas pelo país. Para motoristas comuns, além das longas filas nos postos, o preço agora é um problema. O litro de óleo diesel ou gasolina subiu entre 15% e 20% ao longo da semana.

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