Estudiosos avaliam se modelo do salário baixo está esgotado

A grande questão que mobiliza os especialistas na China é saber se o país alcançou ou não a "curva de Lewis", modelo concebido pelo economista Arthur Lewis, (1915- 1991), para descrever o processo pelo qual nações em desenvolvimento esgotam sua oferta de mão de obra barata.

CLAUDIA TREVISAN, Agencia Estado

25 de julho de 2010 | 08h34

Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1979, Lewis observou que a pressão por aumentos de salários começa a ocorrer no momento em que os países em desenvolvimento incorporam aos setores mais modernos e produtivos da economia as pessoas que antes se dedicavam a atividades tradicionais e relativamente improdutivas, como a agricultura de subsistência.

Entre os que acreditam que a China já fez a "curva de Lewis" está o economista Cai Fang, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, instituição de pesquisa ligada ao governo.

Segundo Cai, a população economicamente ativa da China cresceu apenas 1% na primeira década deste século, em razão da política de controle de natalidade e da menor inclinação da população a ter filhos. A partir de 2015, ela começará a encolher.

A maior evidência de que o país atravessa uma mudança estrutural é a escassez de migrantes rurais dispostos a trabalhar nas cidades, afirma o economista. "Mesmo na crise financeira, os trabalhadores migrantes tiveram aumentos salariais de dois dígitos", lembra Cai.

Patrick Chovanec, professor da Universidade de Tsinghua, em Pequim, diz que há alguns indícios da chegada da "curva de Lewis" à China. Mas o economista ressalta que metade da população do país ainda vive na zona rural, onde a produção é manual e em pequenas extensões de terra. "Se ocorrer a mecanização, haverá aumento da produtividade, o que vai liberar muita gente para a economia urbana", observa Chovanec.

Wang Tao, economista-chefe do banco UBS, acredita que a recente pressão sobre os salários é mais cíclica do que estrutural. Depois do colapso nas exportações provocado pela crise global no fim de 2008 e início de 2009, o governo estimulou os migrantes a retornarem e permanecerem em suas regiões de origem.

Para reforçar esse processo, Pequim destinou parte significativa do pacote de estímulo de US$ 586 bilhões anunciado em novembro de 2008 a obras no interior do país, que deram empregos aos camponeses que voltaram a suas vilas.

Quando as exportações se recuperaram no começo de 2010, uma fatia dessa massa de operários não estava disposta a retornar à costa leste pelos mesmos salários que recebiam anteriormente, o que forçou as empresas a reajustarem a remuneração que ofereciam.

Também existe diferença entre os jovens migrantes rurais que entraram no mercado de trabalho recentemente e as gerações anteriores. Mais bem educados e informados, eles exigem melhores condições de trabalho e salários mais elevados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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