Tiago Queiroz/Estadão
Varejo de alimentos deve registrar avanço em 2020. Tiago Queiroz/Estadão

Estudo aponta o que executivo espera de 2020 em meio à pandemia do coronavírus

Um em cada quatro projeta queda de 10% a 25% nas receitas, segundo levantamento da consultoria KPMG

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 05h00

RIO - Um quarto dos executivos de grandes empresas espera quedas de 10% a 25% nas receitas em 2020, por causa da crise da covid-19, mostra levantamento inédito da consultoria KPMG. O levantamento entrevistou 91 executivos de todo o País: 25,27% esperam uma queda de 10% a 25% nas receitas este ano, enquanto 13,19% preveem recuo de até 10% e outros 13,19% esperam quedas entre 25% e 50%.

Apenas 5,49% estimam receitas abaixo de 50% em relação ao ano passado. Outros 18,68% apostam num faturamento no mesmo nível de 2019.

Na contramão, 24,18% dos executivos entrevistados disseram esperar aumento no faturamento, a despeito da crise. Segundo André Coutinho, sócio-líder de Clientes e Mercados da KPMG no Brasil e na América do Sul, a parcela de entrevistados apostando em aumento do faturamento em 2020 é condizente com outro estudo da consultoria, divulgado em abril, sobre o “padrão de retomada” da economia. Na retomada, atividades como varejo e farmácia online, entrega a domicílio de comida, telemedicina e streaming de vídeo poderão experimentar crescimento.

“Ainda assim, estamos falando de 50% (dos executivos entrevistados) dizendo que haverá diminuição (no faturamento de 2020)”, afirmou Coutinho.

O levantamento, ao qual o Estadão teve acesso, foi feito no início de junho, referente a abril e maio. A ideia é repetir a pesquisa todo mês, permitindo avaliar a evolução da percepção dos executivos, disse o sócio da KPMG.

Por enquanto, o cenário de recuperação rápida parece ainda distante, mesmo que o “fundo do poço” da crise tenha ficado em abril e maio. O levantamento da KPMG mostrou uma piora do quadro na passagem de abril para maio. Em abril, 65,93% dos entrevistados apontaram queda no faturamento ante igual mês de 2019. Em maio, foram 70,33%.

País

Além disso, quase um quarto dos entrevistados (23,08%) espera crescimento econômico zero ou negativo em 2021, enquanto 57,14% apostam que a economia crescerá até 3,0%. Mesmo que cresça 3,0%, a economia teria desempenho insuficiente para se recuperar da retração de 2020, projetada em 5,95%, conforme a edição mais recente do relatório Focus, do Banco Central (BC). Apenas 7,69% dos entrevistados pela KPMG esperam crescimento acima de 5,0% em 2021.

Mesmo que algumas atividades tenham crescimento acima da média, conforme o novo padrão da retomada econômica, ainda há muita incerteza, disse Coutinho. Segundo o sócio da KPMG, alguns crescimentos podem não se confirmar, sendo seguidos de retrações em seguida. Um exemplo é explosão nas assinaturas dos serviços de “streaming” de vídeo.

“Passada a quarentena, as assinaturas serão mantidas?”, questionou Coutinho, citando a telemedicina como outra oportunidade de novos negócios que parece promissora. “Algumas transformações parecem que vieram para ficar, mas tudo vai depender da experiência do consumidor”, completou.

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Um terço dos executivos prevê volta aos escritórios até dezembro, diz estudo

Entre os entrevistados pela KPMG, 30% disseram que a volta aos escritórios se dará, inicialmente, com no máximo de 15% a 30% dos profissionais

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 05h00

RIO - Um terço dos executivos de grandes empresas espera retomar o trabalho presencial nos escritórios de suas companhias entre setembro e dezembro, mostra levantamento inédito da consultoria KPMG. Conforme o estudo, 34,9% dos 722 executivos entrevistados preveem que o trabalho nos escritórios voltará aos padrões convencionais entre setembro e dezembro. Outros 21,05% preveem a volta para agosto.

Embora a maioria dos executivos trabalhe com a volta ao trabalho presencial neste segundo semestre, 9,42% disseram que só pretendem retornar em 2021, destacou André Coutinho, sócio-líder de Clientes e Mercados da KPMG no Brasil e na América do Sul. Desde o início de maio, em torno de 8,8 milhões de trabalhadores vêm trabalhando remotamente, segundo uma nova pesquisa semanal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa da KPMG revela ainda que a volta ao normal não será de uma vez só. Quase um terço (30,33%) dos entrevistados disse que a volta aos escritórios se dará, inicialmente, com no máximo de 15% a 30% dos profissionais. Outros 16,07% afirmaram que será com no máximo 15% do pessoal. “Para quase metade das empresas, o retorno será com ate 30% do pessoal. Com esse fluxo, as empresas administram melhor, têm mais controle do acesso (ao escritório) e têm um processo de aprendizado”, disse Coutinho.

Na visão do sócio da KPMG, embora a ideia do trabalho remoto seja “sedutora” para as empresas, diante da possibilidade de cortar custos fixos com luz, água e até mesmo aluguel de espaço físico, a adoção generalizada do formato ainda está cercada de incertezas.

O “home office” poderá implicar prejuízos que ainda requerem tempo para serem avaliados, como o cansaço dos funcionários, a adaptação de processos e sistemas de tecnologia da informação, a dificuldade de reforçar a cultura corporativa e a falta da interação pessoal entre as equipes, disse Coutinho.

Mesmo assim, apenas 16,45% dos entrevistados pela KPMG avaliaram que o trabalho remoto diminuiu a produtividade dos funcionários em abril e maio. Para a metade (49,58%), a produtividade se manteve igual à do trabalho presencial. Outros 33,94% relataram ganhos de produtividade.

Coutinho acredita que o trabalho remoto será usado com cautela. Além de promover a volta aos escritórios gradualmente, as empresas também deverão optar por modelos em que os funcionários trabalham apenas alguns dias de casa.

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