Estudo britânico liga empréstimos do FMI a tuberculose

Medidas rigorosas anexadas aosempréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) podem tercontribuído para o ressurgimento da tuberculose no LesteEuropeu e na ex-União Soviética, afirmaram pesquisadores naterça-feira. Governos podem estar reduzindo investimentos em serviços desaúde, como hospitais e clínicas, para atingir as rígidas metaseconômicas estabelecidas pelo FMI, afirmaram pesquisadoresbritânicos. O estudo, publicado pelo jornal da Public Library ofScience, o PLoS Medicine, verificou que países participantesdos programas do FMI viram suas taxas de mortalidade portuberculose subirem 17 por cento entre 1991 e 2000, oequivalente a mais de 100 mil mortes adicionais. Aproximadamente um milhão de novos casos foram registradosneste período. Nações que receberam dinheiro de outras instituições comcondições econômicas menos restritivas anexadas tiveram umaredução de aproximadamente 8 por cento nas taxas de mortalidadepor tuberculose, afirmaram David Stuckler e colegas daUniversidade de Cambridge. "Os empréstimos do FMI não parecem ser responsáveis pelapiora da área de saúde; mas parece mais um precipitante de taisproblemas", escreveram. Mas um porta-voz do Fundo questionou se os estudos levaramem conta a instabilidade ocorrida pela queda da UniãoSoviética, e disse que leva tempo para que a doença sedesenvolva e que as taxas de mortalidade podem estar ligadas aproblemas anteriores. "Se o FMI não tivesse ajudado os países pós-comunistas, aqueda dos gastos na saúde teria sido mais marcante e as doençasteriam sido, em geral, mais graves", afirmou William Murray,porta-voz do Fundo em resposta enviada por email. Os pesquisadores usaram um modelo estatístico para compararas taxas de tuberculose para 21 países ex-comunistas levando emconta o tempo e o tamanho dos empréstimos. Mesmo quando considerado as mudanças de população, guerras,inflação e outros fatores que podem levar a novos casos, ospesquisadores descobriram uma forte relação entre o aumento decasos de tuberculose e o início dos empréstimos.

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