Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Estudo de pesquisadores do Ipea pede manutenção de política social e para empresas contra pandemia

Rodrigo Orair e Fábio Veras dizem que, em um cenário em que houve aumento da pobreza e do desemprego, priorizar o ajuste fiscal pode representar um risco à recuperação econômica

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2021 | 16h24

BRASÍLIA - Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluíram que, dado o avanço desigual na vacinação e a diferença no impacto da pandemia de covid-19 entre países, é necessária a manutenção de uma política de proteção social e de setores da economia para além de 2021. E que isso deve ser feito antes mesmo de se pensar em uma consolidação fiscal.

“A revisão das medidas fiscais emergenciais de suporte de renda, liquidez e crédito não pode ser feita rapidamente, sob o risco de fragilizar ainda mais a situação financeira das empresas e comprometer a capacidade da economia de se recuperar”, diz o texto.

No artigo, antecipado ao Estadão/Broadcast, os pesquisadores Rodrigo Orair e Fábio Veras dizem que, em um cenário em que houve aumento da pobreza e do desemprego, priorizar o ajuste fiscal pode representar um risco à recuperação econômica. “Os esforços de consolidação fiscal devem ser conduzidos de maneira cuidadosa e, salvo medidas muito pontuais, não devem vir tão cedo”, completam.

Os pesquisadores avaliaram que outros países que reagiram de maneira similar ao Brasil estão tratando pacotes de estímulo fiscal como um “pilar central” para a recuperação econômica, que deve ser “inclusiva e sustentável”. “A aposta de que será possível superar a crise econômica e social mediante abreviação do ajuste fiscal é bastante questionável, sobretudo no caso brasileiro de pouco êxito em termos de controle da pandemia e avanço lento da vacinação”, completou.

Veras disse ao Estadão/Broadcast que as medidas de proteção têm que ser mantidas até a retomada econômica estar em uma trajetória sustentável. “O que ficou claro é que você não pode retirar de uma vez, as economias ainda vão precisar de apoio para crescer”, comentou.

A discussão de uma ampliação do Bolsa Família ou da manutenção do auxílio emergencial, porém, esbarra na falta de espaço fiscal, principalmente depois do “meteoro” de R$ 89 bilhões em precatórios que o governo tem que pagar no próximo ano e tenta encontrar uma solução para adiar. O pesquisador pondera que esse seria o momento para uma reforma tributária e também de mudanças nos programas sociais. “O desenho está muito turvo, não sabemos como será possível fazer tudo sem aumentar o gasto. Mas ficou muito claro que o valor do Bolsa Família está muito baixo", completou Veras.

O artigo faz um comparativo entre as medidas adotadas pelos países no enfrentamento econômico dos impactos da pandemia e conclui que o pacote emergencial de enfrentamento da covid-19 no Brasil em 2020 é semelhante ao de países avançados “tanto em termos de volume de recursos quanto de escopo das áreas de atuação”. “O pacote fiscal brasileiro, em proporção do PIB, aparece como o 15o maior entre os sessenta países com informações disponíveis e junto com o Peru na liderança dos países emergentes”, completa o texto.

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