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Estudo diz que ações ganham com transparência

A adoção de boas práticas de governança corporativa realmente cria valor para as empresas? A resposta sempre foi teórica: espera-se que o preço das ações suba com o aumento da transparência e, assim, as companhias consigam reduzir o custo de captação.A teoria funciona na prática, conforme demonstra estudo do professor doutor Gledson de Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), que avaliou o desempenho das empresas que decidiram aderir aos níveis de governança da Bolsa de Valores de São Paul o (Bovespa).Com o aumento da transparência, as ações passaram a valer mais, a volatilidade caiu e o volume de negócios cresceu, conclui o estudo, feito a pedido da própria Bovespa, que será relatado pela superintendente-executiva Maria Helena Santana, na 4.ª Mesa Redonda de Governança Corporativa da Ásia, que acontece na próxima semana, na Índia. O evento é organizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Banco Mundial, que convidaram a Bovespa para mostrar o caso brasileiro do Novo Mercado."Tive uma surpresa positiva com o estudo. Acho que isso estimulará outras companhias a adotarem a governança", disse Maria Helena. Para Carvalho, o levantamento "mostra empiricamente o que todo mundo esperava que teoricamente acontecesse".As conclusões são resultado de cálculos estatísticos. No mercado, os papéis sofrem ligadas ao resultado financeiro das companhias e aos fatores macroeconômicos. O primeiro passo do professor foi expurgar todos os efeitos alheios ao negócio das empresas sobre as ações e calcular a variação "pura" dos papéis - isso é feito com métodos estatísticos que olham o desempenho passado das ações e ponderam pelo risco. O levantamento analisou 25 papéis de 18 companhias, de junho de 2001 a maio de 2002.O cálculo mostrou que as ações das empresas subiram em média 0,5% nos dias próximos à adesão aos níveis de governança, já excluídos os efeitos do mercado. Como o estudo analisou o desempenho de dois dias anteriores e dois posteriores à migração, Carvalho concluiu que o ganho médio foi de 2% no período.Para calcular o comportamento do volume financeiro, foram excluídos os efeitos do mercado. "Cada ação passou a negociar mais R$ 300 mil por dia, em média", contou Carvalho. Nesse caso foi observado o período de 80 pregões antes e 80 depois da migração. "Os papéis ficaram mais líquidos e menos voláteis."

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 11h02

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