André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Estudo do BC diz que ação no câmbio pode não ser eficaz

Levantamento foi divulgado pelo banco, mas não reflete necessariamente a opinião da instituição

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2016 | 22h05

BRASÍLIA - Um dia depois de ter apresentar a perda de quase R$ 90 bilhões com intervenções no câmbio em 2015, o Banco Central liberou um estudo sobre os efeitos práticos dessas operações. O resultado é que não há provas de que o chamado swap cambial (intervenção no mercado equivalente à venda de dólares no mercado futuro) reduza a volatilidade da cotação do dólar no curto prazo. “Não há evidências concretas de que a atuação do BC contribui de maneira clara para a redução da volatilidade cambial no curto prazo”, trouxe o documento.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, repete à exaustão que o regime de câmbio no Brasil é flutuante e as atuações do BC no mercado não têm o objetivo de conter a alta do dólar, mas de diminuir as oscilações bruscas das cotações em momentos de maior tensão. O discurso foi repetido no fim do ano em audiência no Senado em resposta a críticas de parlamentares às intervenções do BC.

O estudo Efeitos das Intervenções Cambiais sobre a Taxa de Câmbio Futura no Brasil é de autoria do funcionário do BC Marcio Magalhães Janot e de Leonardo Peixoto Macedo, do banco BBM. O BC diz que os trabalhos para discussão representam as opiniões dos autores e não refletem, necessariamente, a visão do banco.

“Podemos concluir que o BC tem capacidade de afetar as condições do mercado e o sentimento dos participantes quando as intervenções são realizadas surpreendendo o mercado e com tamanho adequado, ou seja, intervenções muito grandes ou muito pequenas podem não ter o efeito esperado”, escreveram os pesquisadores.

Eles ressaltaram que ainda é preciso abordar em trabalhos futuros se as condições do mercado no momento das intervenções do BC influenciam a eficácia dessas operações. Se intervenções que ocorrem em horário de elevado volume de negócios tendem a causar mais impacto no mercado de câmbio.

Janot e Macedo também chegaram a quatro outras conclusões. A primeira é a de que as intervenções, quando feitas de maneira inesperada, causam impacto no nível da taxa de câmbio mais fortemente do que as intervenções antecipadas, e de maneira persistente.

Outras conclusões: não há evidências de antecipação do mercado em relação às intervenções não anunciadas; as intervenções parecem ser uma resposta do BC a um determinado movimento da taxa de câmbio (compras de dólar ocorrem após um período de apreciação do real e vendas de dólar ocorrem após um período de depreciação do real). Por fim, os autores também avaliaram que o tamanho das intervenções afeta a amplitude dos impactos, mas que essa relação não é linear.

De agosto de 2013 até 31 de março de 2014, o BC ofereceu ao mercado o que ficou conhecido como “ração diária” nas operações de swap. Nos últimos meses, com exceções, o banco apenas rolou esses contratos.

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